Alemão registra suicídio por inanição em diário

Homem, que morreu de fome voluntariamente, registrou todo o processo em um diário

Marcio Damasceno, BBC

15 de fevereiro de 2008 | 11h00

Um representante comercial desempregado, de 58 anos, registrou em um diário seu suicídio por inanição, que durou 24 dias. No caderno, encontrado ao lado de seu corpo, Peter Z. anotou tudo que sentia e as mudanças no seu corpo até morrer lentamente de fome, em dezembro passado, em um abrigo de caça na floresta de Solling, próxima ao povoado de Uslar, na Alemanha. O corpo, muito magro e mumificado, foi encontrado somente na sexta-feira, por dois caçadores em um casebre de madeira construído sobre palafitas. Ele estava deitado de costas sobre um colchão, com as mãos atrás da cabeça. O abrigo fica isolado na altura das copas das árvores, no meio da floresta de Solling, a cerca de 100 quilômetros de onde morava Peter Z., em Hannover. Ao lado do corpo, havia um caderno de formato A5 onde ele registrou seus últimos 24 dias de vida, com detalhes sobre dores físicas, o ressecamento da pele e os sintomas da fome voluntária sobre seus órgãos internos. Ele também escreveu sobre a procura frustrada por um novo emprego, o fim de seu casamento e o rompimento com a filha, que não via há anos. A última anotação é de 13 de dezembro. A polícia suspeita que a morte veio no mesmo dia ou pouco depois. De acordo com as anotações, ele só bebia algumas gotas de água de tempos em tempos, sem ingerir alimentos sólidos. Em seu texto, ele relata a vontade de morrer. Após longo período desempregado, Peter Z. teve o seguro desemprego cortado em outubro. Um mês depois, ele percorreu quase 100 quilômetros de bicicleta até o abrigo de caça onde o cadáver foi encontrado. Em uma ocasião, ele quase foi descoberto. O diário descreve uma situação em que uma menina escalava as escadas que levavam ao abrigo, quando o pai da criança gritou para que ela descesse. O caderno foi encaminhado para a filha de Peter Z., seguindo desejo expresso no diário. Joana Z., que mora num povoado próximo a Lübeck, no norte da Alemanha, não tinha contato com o pai há anos. De acordo com a imprensa alemã, ela demonstrou pouca emoção ao ser informada pela polícia da morte do pai. Além disso, teria dito que não faz questão alguma de receber o livreto. Entretanto, a mídia local afirma que pelo menos uma pessoa já ofereceu uma quantia de cinco dígitos pela compra do diário.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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