Amsterdã luta para evitar perda de turistas em busca de maconha

O ministério holandês da Justiça disse nesta sexta-feira que talvez não consiga abrir uma exceção para os "coffee shops" de Amsterdã na lei que proíbe a venda de maconha para estrangeiros na Holanda.

THOMAS ESCRITT, Reuters

02 de novembro de 2012 | 18h49

Nesta semana, consumidores de maconha haviam suspirado aliviados com a notícia de que o prefeito da capital, Eberhard van der Laan, anunciou que os coffee shops (bares especializados na venda de maconha e derivados) continuariam atendendo estrangeiros.

O governo conservador nacional, que foi derrotado nas eleições de setembro, havia prometido que, a partir de 2013, apenas cidadãos holandeses seriam autorizados a comprar droga nesses locais.

Os coffee shops de Amsterdã atraem milhões de turistas por ano, e os proprietários dos estabelecimentos se mobilizaram contra a nova lei holandesa.

"Entendemos que a política do governo central é ter uma política para o país inteiro", disse uma porta-voz da prefeitura. "Mas a situação de Amsterdã é muito diferente do resto do país, porque temos muitos turistas."

Mas o empenho do prefeito contra a lei causou irritação em Haia, sede do governo nacional, onde é travada uma disputa que irá definir o futuro da tolerante política de drogas adotada no país décadas atrás.

Os dois partidos que estão formando o próximo governo da Holanda querem autorizar os municípios a contornarem a proibição nacional imposta pelo governo demissionário, que inclui os democratas cristãos.

Mas o Ministério da Justiça disse não haver garantias de que a lei será alterada para atender às preocupações de Amsterdã.

"O acordo da coalizão diz que os turistas serão barrados nos coffee shops de todo o país", disse uma porta-voz. "A adequação que haverá para as exigências locais é algo que ainda não foi finalizado."

O governo conservador impôs a nova lei sob o argumento de que a maconha vendida nos coffee shops está se tornando mais forte e perigosa, e que os estabelecimentos têm ligações criminais.

"O prefeito sabe que fechar os coffee shops levará a todo tipo de problema", disse Laurens Buijs, sociólogo da Universidade de Amsterdã. "Os prefeitos sabem que a abordagem ideológica do governo não está realmente ajudando."

Autoridades locais argumentam que a proibição afetará não só a economia das cidades, como também irá incentivar o tráfico nas ruas e elevará a criminalidade.

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