Anúncio de Romney esquenta corrida republicana à Presidência dos EUA

Candidato promete medidas para reativar economia americana, principal desafio do governo Obama.

Alessandra Corrêa, BBC

02 Junho 2011 | 18h03

O anúncio oficial da candidatura do ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, à corrida presidencial pelo Partido Republicano, nesta quinta-feira, dá novo fôlego a uma campanha ainda morna entre os adversários do presidente americano, Barack Obama.

Em meio a candidatos pouco conhecidos ou com pouco impacto até agora no eleitorado americano, Romney vinha liderando as pesquisas de intenção de voto do Partido Republicano antes mesmo de oficializar sua candidatura.

No discurso de lançamento desta quinta-feira, em uma fazenda em Stratham, no Estado de New Hampshire, Romney aproveitou para tocar em um dos pontos fracos do governo de Obama: a economia.

O candidato disse que Obama "decepcionou os Estados Unidos" e não cumpriu a promessa feita durante sua campanha à Presidência, em 2008, de recuperar a economia americana.

Segundo Romney, se eleito ele irá se concentrar em reativar a economia e retomar a geração de empregos.

Com um ritmo de crescimento lento, alta taxa de desemprego, dívida no limite e deficit recorde, a economia é um dos principais desafios enfrentados por Obama na campanha à reeleição e é considerada por analistas políticos o fator que deverá definir a escolha dos eleitores.

Conservadores

Apesar de liderar as pesquisas mais recentes e de ter uma das mais sólidas arrecadações de fundos para a campanha entre os republicanos, Romney enfrenta resistência de alas mais conservadoras do partido.

A crítica do candidato à reforma da saúde aprovada por Obama no ano passado - com forte oposição dos republicanos - não tem sido suficiente para convencer alguns conservadores.

A reserva com que é visto se deve principalmente ao fato de que, quando era governador de Massachusetts, Romney introduziu um plano de saúde considerado por muitos um modelo para a reforma de Obama.

Em 2008, quando também tentou a indicação do Partido Republicano, Romney já havia enfrentado dificuldades para convencer alguns setores de que era realmente um conservador, apesar de suas posições a favor do aborto e do casamento de pessoas do mesmo sexo.

Naquele ano, ele acabou perdendo a indicação do partido para John McCain.

Nesta quinta-feira, logo após seu discurso, tanto democratas quanto outros republicanos com pretensões presidenciais já distribuíam comunicados criticando Romney.

Entre as críticas estão o desempenho econômico de Massachusetts quando ele era governador e a fama que ele tem de mudar de posições conforme a conveniência, apresentando-se ora como republicano liberal, ora como conservador ferrenho.

Candidatos

A escolha de New Hampshire para lançar a candidatura se deve à importância do Estado na escolha do candidato republicano. A primária no Estado para escolher quem vai representar o partido na corrida presidencial do próximo ano está prevista para fevereiro.

Nas pesquisas recentes, apesar de liderar a preferência dos eleitores, Romney não aparece com grande diferença em relação aos seus adversários dentro do Partido Republicano.

Enquanto Obama continua em uma posição confortável em sua campanha à reeleição, o Partido Republicano ainda não conseguiu definir um candidato de destaque.

A ex-governadora do Alasca e ex-candidata à vice-Presidência Sarah Palin é uma das adversárias de peso que Romney deverá enfrentar.

Ela ainda não formalizou sua candidatura, mas já está viajando pelo país, em um roteiro que incluía New Hampshire exatamente nesta quinta-feira, mesmo dia do discurso de Romney.

Palin tem apoio do chamado Tea Party, movimento que reúne vários grupos conservadores e que teve destaque nas eleições legislativas do ano passado, conquistando posições de republicanos tradicionais.

O ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani também é um nome considerado forte, apesar de ainda não ter confirmado que pretende concorrer.

Entre os que já anunciaram oficialmente sua candidatura à indicação republicana estão o ex-líder da Câmara dos Representantes (deputados federais) Newt Gingrich e o ex-governador de Minnesota Tim Pawlenty.

Nenhum deles, porém, conseguiu ainda despontar como favorito na corrida para a eleição de 2012. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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