Após três anos de queda, desmate na Amazônia volta a subir

Aumento registrado entre 2007 e 2008 é de 3,8%; o Estado que mais desmatou foi o Pará, seguido de MT

Anne Warth, da Agência Estado

28 Novembro 2008 | 13h18

A área desmatada da Amazônia somou 11.986 quilômetros quadrados entre agosto de 2007 e julho deste ano, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), uma área equivalente a quase 10 vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro, ante 11.500 quilômetros quadrados desmatados entre 2006 e 2007. Técnicos do Inpe consideram que, dentro da margem de erro do levantamento, pode-se considerar que o desmatamento manteve-se estável.     Apresentação do Inpe (ppt)  Histórico do desmatamento  Os maiores desmatadoresEm termos proporcionais, o número representa um aumento de 3,8% no desmatamento na comparação com o período anterior, agosto de 2006 a julho de 2007. Esta é a primeira alta de desmatamento na Amazônia desde 2005. Nos últimos três anos, o Inpe vinha registrando quedas seguidas, da ordem de 20% a 30% a cada ano.   Embora os índices no Estado venham caindo há quatro anos, o Pará continua a ser o campeão do desmatamento da Amazônia Legal. Em um ano, foram removidos 5.180 quilômetros quadrados de matas, ou 43% de tudo que foi derrubado na região no período.   Em segundo lugar está o Mato Grosso, com 3.259 quilômetros quadrados devastados, ou 27% do total desmatado.   Em terceiro lugar, está o Maranhão, com 1.085 km² de matas derrubadas. O Maranhão foi o Estado onde o desmatamento mais cresceu nos últimos doze meses. Em quarto, aparece Rondônia, com 1.061 quilômetros quadrados.    De acordo com o Inpe, os meses mais críticos em termos de desmatamento são maio, junho e julho. Nesse período, foi derrubado 28% do total de áreas devastadas da Amazônia Legal nos últimos doze meses, invertendo a tendência do período anterior, quando 73% de tudo que foi derrubado ocorreu exatamente nesses três meses.   Na avaliação do órgão, isso mostra que as políticas públicas para a prevenção e o controle do desmatamento da Amazônia Legal vêm surtindo efeito. A elevação ou estabilidade, embora reverta um histórico de quedas, representa um alívio em relação às previsões feitas no final do ano passado. Uma alta inesperada da área desmatada, no segundo semestre de 2007, gerou estimativas de que a alta deste ano poderia chegar a 30%.   O pior resultado em termos de desmatamento ocorreu em 2004, quando foram derrubados 27,4 mil quilômetros quadrados da Amazônia Legal.    Reação do ministro   Em entrevista coletiva em Brasília, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc se disse insatisfeito com a cifra, mas insistiu que ela seria muito pior sem as políticas do governo contra o desmatamento clandestino.   "Qualquer aumento é ruim, só que a expectativa era de 30% a 40% (de aumento) e conseguimos estabilizar a taxa", disse Minc, no cargo desde maio. "Quando se apreende soja e gado, dói no bolso deles."   O governo federal ampliou a vigilância neste ano, confiscando produtos agropecuários oriundos de áreas desmatadas ilegalmente e cortando o financiamento para propriedades rurais irregulares.   "As cifras de hoje são inaceitáveis, mas a tendência de longo prazo continua positiva, e mostra que é possível fazer algo contra o desmatamento", disse à Reuters Paulo Moutinho, coordenador do Instituto de Pesquisas da Amazônia.   Críticos dizem que falta pessoal e verbas para que o Ibama combata adequadamente o desmatamento, muitas vezes provocado por fazendeiros e madeireiros armados.   No domingo, um grupo saqueou a sede do Ibama em Paragominas (PA), ateou fogo à garagem e usou um trator para arrombar um hotel onde se hospedam funcionários do órgão. A multidão também roubou 12 caminhões com madeira apreendida.                                     Na opinião de Moutinho, não basta que o governo reprima o desmatamento clandestino.   "Precisamos tornar mais caro cortar uma árvore do que preservá-la", afirmou, propondo que municípios e Estados recebam benefícios fiscais caso cumpram determinadas metas de proteção ambiental e promoção de atividades sustentáveis, como o extrativismo e o turismo. (com Reuters) (Atualizada às 19h14)

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