Daniel Ramalho/AFP
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Bolsonaro fala em sentimento de 'vitória'; Haddad diz que 'lutará até o último minuto'

No Rio, presidenciável do PSL acena para apoiadores e diz ter expectativa de vencer; Em São Paulo, candidato do PT afirma que 'o Brasil acordou nos últimos dias'

Marcio Dolzan / RIO, Ricardo Galhardo, Mateus Fafgundes e Daniel Werterman, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2018 | 10h29

Os presidenciáveis Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) votaram na manhã deste domingo, 28, no segundo turno das eleições 2018 e demonstraram otimismo em relação aos resultados das urnas. No Rio, Bolsonaro votou na Escola Municipal Rosa da Fonseca, na Vila Militar, zona norte da cidade. Depois de votar, o candidato do PSL fez uma breve aparição na frente do local e acenou para seus apoiadores, o que provocou correria e um breve tumulto. Questionado dentro da seção sobre qual era sua expectativa, ele disse que acredita no que viu "nas ruas nos últimos meses: vitória". Em São Paulo, Haddad votou na Brazilian International School no bairro de Moema, na zona sul. Em uma rápida entrevista coletiva, o petista disse que o que está em jogo hoje no Brasil são as liberdades individuais, a democracia e a própria Nação. "Vou lutar até o último minuto. Sinto nas ruas, considero que o Brasil acordou nos últimos dias. A Nação está em risco, a democracia está em risco e as liberdades individuais estão em risco", afirmou.

A manhã de Bolsonaro foi agitada. Desde que sua seção foi aberta, soldados da Polícia do Exército revistavam todas as pessoas que chegavam para votar. A revista era feita inclusive em crianças e com auxílio de um detector de metais. Ao mesmo tempo, policiais federais faziam varredura nas áreas interna e externa da escola.

Questionado dentro da seção sobre qual era sua expectativa, somente disse: "É o que eu vi nas ruas nos últimos meses: vitória". Ao sair do local de votação, ele colocou o corpo para fora do carro e pelo menos 100 pessoas cercam o comboio aos gritos de "mito".

Com meio corpo para fora de uma viatura da Polícia Federal, Bolsonaro deixou a escola acenando para apoiadores e ouvindo gritos de "mito". Cerca de 100 eleitores trajando camisas amarelas o apoiavam e cercaram a caminhonete onde estava Bolsonaro, atrapalhando o forte esquema de segurança que havia sido montado. 

Bolsonaro se desentendeu com o chefe da equipe de policiais federais responsável pela sua segurança pessoal, o delegado Antônio Marcos Teixeira logo depois. O desentendimento ocorreu após Teixeira repreender os agentes federais comandados por ele que permitiram que o candidato colocasse parte do corpo para fora do carro da PF e acenasse a apoiadores ao chegar no condomínio em que mora, após votar no Rio de Janeiro.

O candidato do PSL lidera as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno: tem 54%, contra 46% de Fernando Haddad (PT), conforme mostrou a pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada na véspera.

Haddad vota em Moema

Pouco depois de votar da Brazilian International School no bairro de Moema, Zona Sul de São Paulo, o candidato do PT, Fernando Haddad, deu rápida entrevista coletiva na qual disse que o que está em jogo hoje no Brasil são as liberdades individuais, a democracia e a própria nação. "A nação está em risco, a democracia está em risco e as liberdades individuais estão em risco", disse Haddad.

Na porta da escola, moradores dos prédios vizinhos gritavam o nome de Jair Bolsonaro (PSL) e batiam panelas enquanto apoiadores do petista carregavam rosas e sombrinhas coloridas e em coreagrafia cantavam "alerta, desperta, ainda cabe sonhar", trecho do espetáculo "Cantata para um bastidor de utopias" do grupo Cia do Tijolo, baseado na vida do poeta espanhol Federico Garcia Lorca, assassinado em 1936 por forças do regima franquista durante a Guerra Civil espanhola. 

A manifestação organizada pelo movimento Arte pela Democracia, fazia as vezes de segurança de Haddad. Houve um início de confusão quando um apoiador de Bolsonaro vestindo camisa amarela provocou os petistas com palavrões e acusações de corrupção. Ele foi expulso pelos manifestantes, entre eles o ex-prefeito de Carapicuíba, Sergio Ribeiro. A Polícia Militar, qua fazia a segurança do local, separou os grupos e a confusão acabou.

Antes de votar, Haddad participou de um café da manhã com lideranças do PT de São Paulo em um hotel na região da Avenida Paulista, onde também concedeu ma rápida entrevista na qual tentou demonstrar otimismo e agradeceu às pessoas que espontaneamente foram às ruas nos últimos dias para tentar virar votos em favor do petista. 

Questionado sobre a posição de Ciro Gomes (PDT) de não declarar voto no segundo turno, Haddad destacou outros apoios recebidos de personalidades importantes como o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa e do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sem citá-los nominalmente, e deu uma alfinetada em Ciro.

"Vamos olhar para os brasileiros que num momento difícil da vida nacional tiveram uma postura de horadez defendendo a democracia", disse o candidato do PT.

"Estou muito confiante que nós vamos ter um grande resultado hoje, vamos lutar até o último minuto. As pesquisas indicam uma retomada importante das intenções de voto no nosso projeto e eu confio na democracia, confio no povo brasileiro", disse.

"Muita gente que poderia estar recolhida se manifestou nos últimos dias. Apoios significativos. Eu não quero mencionar um a um. Eu estou muito feliz com isso. Mas não com o apoio das personalidades. Estou feliz com o apoio do cidadão comum, da cidadã que foi à rua defender o Brasil"

Depois de votar, Haddad foi para casa, no Planalto Paulista, onde deve ficar até as 17h, quando volta ao hotel na região da Avenida Paulista para acompanhar a apuração.

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