Candidata é desclassificada do Enem por engano

Aluna que fez prova na capital paulista foi acusada de publicar foto do exame nas redes sociais; estudante com o mesmo nome foi quem postou imagem

Cristiane Nascimento e Mateus Coutinho, Especial para O Estado de S. Paulo,

08 de novembro de 2012 | 02h05

Uma estudante de São Paulo foi desclassificada do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) porque outra candidata com o mesmo nome, de Mogi das Cruzes, publicou foto da prova nas redes sociais no sábado. A Jacqueline Chen de Mogi não foi punida, mas a da capital teve de assinar termo de eliminação no domingo.

De acordo com fontes do Ministério da Educação (MEC), o consórcio responsável pela aplicação do exame pode ter falhado ao identificar a autora da publicação no Instagram. Segundo o Estado apurou, o caso está sendo avaliado pela pasta e a aluna da capital pode ganhar a chance de fazer as mesmas provas aplicadas em unidades prisionais e socioeducativas, em 4 e 5 de dezembro. A candidata de Mogi deve ser desclassificada do exame.

O MEC monitorou as redes sociais no fim de semana e eliminou 65 alunos de todo o País por postarem fotos do exame. Quando achava uma imagem na rede, avisava ao consórcio e ordenava a exclusão do candidato.

A foto da Jacqueline de Mogi foi postada no sábado, mas só no domingo sua homônima da capital foi abordada por um fiscal e obrigada a assinar um termo de eliminação do Enem por ter publicado imagem da prova no Instagram. Ela se recusou a assinar e disse que seu celular não tinha acesso à internet e estava guardado e lacrado no envelope entregue pelos aplicadores da prova.

Jacqueline pediu provas de que ela era a autora da publicação, mas os fiscais disseram que não a tinham e que a ordem viera de Brasília. O rapaz que retirou a candidata da sala pediu que ela assinasse um termo no qual assumia ter infringido as regras do exame. Jacqueline pediu para ligar para a sua mãe, mas foi informada de que só poderia fazer isso depois que assinasse o documento. Ela assim o fez.

Depois de ter avisado sua mãe, Jacqueline ligou para algumas amigas e pediu que vasculhassem suas redes sociais à procura de fotos do Enem. "Já estava achando que minhas contas poderiam ter sido invadidas por hackers", diz. Em meio às buscas, as amigas encontraram uma imagem do gabarito de uma prova, ao lado de uma carteira de identidade, publicada pelo perfil da homônima de Mogi.

'Ordens de Brasília.' Ao chegar ao local da prova para buscar a filha, a mãe de Jacqueline questionou os organizadores quanto às provas da infração e disse que não poderiam ter obrigado a filha, menor de idade, a assinar um documento sem a sua presença. Ela não pôde obter uma segunda via do termo de eliminação. Uma senhora, que se apresentou como coordenadora estadual do Enem, disse que recebera ordens de Brasília e que, se fosse o caso, que recorressem para provar a inocência da menina. Em seguida, a coordenadora perguntou a Jacqueline onde ela estudava. Quando a menina respondeu que era aluna do Dante Alighieri, colégio de elite da capital, a coordenadora disse que ela não precisaria entrar com nenhum recurso. "O fato de eu ser de uma escola boa, que me dá toda estrutura e orientação, significa que eu não preciso desse recurso?", questiona Jacqueline.

A estudante, que pretende cursar Arquitetura, usaria a nota do Enem para entrar na Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Eu fui prejudicada, injustiçada e culpada por algo que não fiz", diz ela.

Segundo a mãe da aluna, após o incidente a filha está com dificuldades para se concentrar nos estudos - "justo agora, em meio à maratona de vestibulares". Além do Mackenzie, Jacqueline pretende prestar Fuvest, Unicamp e Unesp nos próximos três domingos.

Anteontem, o Estado recebeu um e-mail de Julia Chen, que seria irmã da Jacqueline de Mogi, dizendo que a candidata havia errado ao publicar a imagem da prova na internet e pedindo para que fosse apagado o nome dela da imagem publicada no site do jornal. Questionada, Julia não respondeu se sua irmã foi eliminada do Enem.

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