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Cantor de frevo, Nonô casa no Recife em cima de carro de trio elétrico

Amante do carnaval, o cantor e compositor de frevo Nonô Germano, de 45 anos, casou às 14h30 (horário de Brasília) deste sábado, 14, de carnaval, com Daniela Freire, 41, em cima de um carro de trio elétrico no Galo da Madrugada. O seu trio parou ao chegar na Rua da Concórdia, defronte do camarote oficial da agremiação e onde se encontrava o juiz de direito Abner Apolinário, que oficializou a união sob aplausos da multidão que disse "sim" em uníssono com os noivos.

ANGELA LACERDA, Estadão Conteúdo

14 Fevereiro 2015 | 16h29

O juiz chegou ao trio por meio de uma espécie de ponte, que é armada para os duetos entre os cantores que animam os trios e os artistas convidados do camarote. "É uma circunstância inusitada, mas o casamento é como qualquer outro", minimizou Apolinário. Os noivos vestiam branco com adereços carnavalescos - ele de bermuda, ela de vestido curto. O buquê era de pequenas sombrinhas de frevo, em vez de flores.

Nonô é filho de Claudionor Germano, um dos ícones do carnaval pernambucano e dos maiores intérpretes do compositor Capiba (1904-1997), de quem gravou 132 canções, entre elas frevos famosos que resistem ao tempo como "Oh, Bela" e "Madeira de Lei que o cupim não roi". Claudionor estava presente e aprovou a escolha do filho: "este casamento vai ficar na história do Galo da Madrugada". Aos 83 anos, ele ainda cumpre agenda de shows neste carnaval, mas está passando o bastão para o filho.

Feliz, Nonô festejou seu casamento em meio a outras comemorações: seus 30 anos de carreira - ele gravou seu primeiro frevo aos 14 anos - e o lançamento do disco "A Voz do Frevo" que reúne inéditos e clássicos. O disco, o terceiro do projeto "Frevo Música Prá Pular Brasileira" (FMPB) traz um encarte com a última obra do artista plástico e seu tio Abelardo da Hora (1924-2014), e faz um apanhado da sua carreira, com algumas regravações de frevos, incluindo elementos do funk carioca.

O músico tem uma banda de 12 músicos, "A Tropa de NÔ" e gosta de "repaginar" alguns frevos para atrair o público jovem, nem sempre afeito ao ritmo 100% pernambucano. "Empunho a bandeira", diz ele.

Depois do casamento, o trio de Nonô seguiu o percurso de seis quilômetros pelos bairros centrais de Santo Antonio e São José. Trinta trios animam o 38. desfile do Galo, que se estende até o final da tarde. Fafá de Belém, Elba Ramalho, João Morro, Maestro Forró, André Rio e Quinteto Violado entre as atrações. No camarote oficial do Galo, os convidados Margareth Menezes, Lula Queiroga, Silvério Pessoa e Saulo Fernandes - do axé baiano - deram canja cantando em dueto com alguns músicos que passavam nos trios.

O escritor Ariano Suassuna (1927-2014) e o ex-governador Eduardo Campos (1965-2014) foram os homenageados do Galo neste ano, junto com os compositores Luiz Gonzaga, o rei do baião (1912-1989), e Carlos Fernando (1938-2013), responsável pelo projeto Asas da América, que ajudou a popularizar o frevo na voz de intérpretes da MPB. "Asas da América, asas para o frevo" foi o tema do desfile.

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