Carreata e fogos na festa do Guarani

Clube comemora acesso à Série A, mas venda de estádio é inevitável

Anelso Paixão, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2009 | 00h00

Uma carreata do aeroporto de Viracopos até o Estádio Brinco de Ouro, sede do clube, onde houve queima de fogos, foi a forma que o torcedor encontrou para homenagear os jogadores que levara o Guarani de volta à elite do futebol brasileiro.

O acesso foi conquistado no sábado, apesar da derrota por 2 a 0 para o Bahia, no Estádio de Pituaçu. É que o Figueirense, único que poderia roubar a vaga da equipe de Campinas no G-4, perdeu em casa para o Duque de Caxias (2 a 1).

Ontem, em Salvador, pouco antes do embarque de volta a Campinas, o presidente Leonel Martins de Oliveira relembrava os momentos antagônicos vividos pelo clube neste ano.

Quando o Campeonato Paulista chegou ao final, com o Guarani rebaixado à Segunda Divisão, o dirigente fazia uma previsão pouco provável de se realizar: "Queremos estar na elite do futebol paulista e brasileiro em 2011, ano do centenário do clube". Parecia um sonho, afinal, o time acabava de despencar para a Série A2 paulista e, ao que tudo indicava, teria dificuldades para se manter na Série B do Brasileiro.

Ontem, apesar do momento de euforia, o presidente mostrava a mesma tranquilidade para falar do futuro: "Agora, vamos lutar para nos mantermos na elite no ano de nosso centenário, o que sempre é um desafio." E admitia dificuldades até para manter a comissão técnica e os jogadores. "Vamos conversar com o Vadão (técnico) nesta semana e com os jogadores, mas os contratos acabam no final do ano e todos estão livres."

As palavras contidas de um dirigente que viveu de perto os maiores momentos da história do clube - era presidente do Conselho Deliberativo na conquista do título de 1978 e presidente do clube no vice-campeonato brasileiro de 1986 - mostram a mudança de ares no clube. "O mais importante é que conseguimos resgatar a imagem do Guarani. Quando voltei em 2006 (num mandato-tampão), ninguém queria ouvir falar de Guarani. Era visto como um clube que não pagava ninguém, que estava no fundo do poço", recorda. "Hoje ainda temos dívidas (R$ 112 milhões em dezembro de 2008), mas já mostramos que somos bom pagadores."

Leonel Martins de Oliveira sabe, porém, que não existe outro caminho para sanar as dívidas senão abrir mão do maior patrimônio: o Estádio Brinco de Ouro. "Não há outro jeito. Já temos a autorização do Conselho para vender, claro que com algumas condições", explica. "Mas não dá para falar em prazos. Estamos negociando."

Antes, porém, o presidente sabe que o glorioso estádio, palco de duas finais de Brasileiro, voltará a viver momentos inesquecíveis. E já nesta semana. No sábado, o Guarani recebe o Juventude, em jogo de festa. No domingo, há o duelo entre Corinthians e Flamengo, em partida que teve mudança de local. Um bom aperitivo para 2010, quando o local receberá jogos da Série A. Afinal, mesmo que seja vendido, o Brinco não será derrubado antes de uma nova e moderna arena ser construída.

OS NÚMEROS

20 vitórias

o Guarani acumulou em 37 partidas na Série B de 2009

53 gols

foram marcados pelo time durante a campanha

112 milhões

era a dívida do clube em dezembro de 2008

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