Cassel quer que Ouvidoria apure mortes em PE

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, afirmou "que nada justifica a violência" ocorrida em Pernambuco, no último sábado, quando líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) mataram a tiros quatro seguranças da Fazenda Consulta, localizada em São Joaquim do Monte, a 137 quilômetros do Recife. Cassel determinou que a Ouvidoria Agrária Nacional apure o que ocorreu e faça um relato ao governo federal.Aluciano Ferreira dos Santos, de 31 anos, e Pedro Alves, de 62, acusados pelos assassinatos, estão presos e indiciados por homicídio. Os dois são líderes do movimento na região de São Joaquim. Uma terceira pessoa, também do MST, teria participado da chacina. Em nota distribuída ontem, o MST não negou a autoria dos assassinatos e os atribuiu a uma reação à investida dos seguranças, que chamam de "pistoleiros". O MST diz que os seguranças teriam sido contratados pelos donos das Fazendas Consulta e Jabuticaba - esta também alvo dos sem-terra.De acordo com Guilherme Cassel, as propriedades estão em processo de desapropriação, pois foram declaradas improdutivas pelo Incra. Mas os proprietários lutam na Justiça desde 2000 para impedir que sejam usadas na reforma agrária.Assim como Guilherme Cassel, o MST também quer a presença da Ouvidoria Agrária Nacional na região. Na nota distribuída ontem pelo movimento, é solicitado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário que envie a Pernambuco o ouvidor Gercino José da Silva Filho. Cópia da nota foi mandada ao ministro-chefe da Secretaria dos Direitos Humanos, Paulo Vanucchi.Nas suas justificativas, o MST acusou os fazendeiros de contratar milícia particular para perseguir os sem-terra. "O senhor Esterlino Guerra, um dos herdeiros de uma delas, contrata milícias de pistoleiros para ameaçar as famílias e proteger a fazenda", diz a nota.

JOÃO DOMINGOS, Agencia Estado

24 de fevereiro de 2009 | 15h33

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