Catálogo revela acervo aos pesquisadores

Catálogo revela acervo aos pesquisadores

Para coroar o trabalho de recuperação das obras raras do Instituto de Biociências (IB-USP), a Editora da Universidade de São Paulo (Edusp) publicou um livro com a descrição do acervo.

Alexandre Gonçalves, O Estadao de S.Paulo

04 de abril de 2010 | 00h00

A obra mais parece um catálogo de arte com gravuras retiradas dos livros restaurados. Mereceu o título Ciência, História e Arte. A publicação permite que especialistas saibam quais livros estão nas estantes da biblioteca sem precisar fazer uma visita.

Os pesquisadores agradecem, pois, além do valor histórico e artístico, o acervo também mantém relevância científica.

"Ao encontrar um novo animal ou planta, o cientista precisa verificar se ele já foi descrito antes", explica Miguel Trefaut Urbano Rodrigues, do IB. "Além disso, há espécies que já desapareceram e todo conhecimento que temos sobre elas está naquelas páginas." Rodrigues sabe bem o que diz. Segundo a revista Zootaxa, ele é o único brasileiro no ranking dos 40 biólogos que mais descreveram novas espécies de répteis no mundo.

Um botânico que encontra uma espécie de palmeira - possivelmente nova - na Mata Atlântica do Rio pode, por exemplo, consultar os 11 volumes da Florae fluminensis para saber se frei José Mariano da Conceição Vellozo não realizou a mesma descoberta há quase 200 anos.

Mas, além das gravuras, os leitores leigos encontram outro atrativo no catálogo. Ele foi enriquecido com comentários de 12 pesquisadores do instituto sobre as principais obras. Nos textos, os cientistas revelam sua admiração aos seus antecessores.

"A restauração do acervo tem uma imensa importância", afirma Welington Delitti, diretor do IB. "Aqueles livros revelam como trabalhavam os grandes mestres (da biologia). Podemos aprender muito com eles."

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