Centros de emergência são necessários para conter Ebola na África, diz ONU

O pior surto de Ebola já registrado pode ser contido se países construírem centros de tratamento e providenciarem pessoal rapidamente nas nações do oeste da África mais atingidas pelo vírus mortal, disse o coordenador da missão de reação ao Ebola da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira.

LOUIS CHARBONNEAU, REUTERS

08 de outubro de 2014 | 21h20

“Se conseguirmos reduzir o número de pessoas que estão transmitindo sua infecção para outras em 70 por cento, então o surto chegará ao fim”, afirmou o médico e coordenador-chefe David Nabarro à Reuters.

“Se, por outro lado, as pessoas continuarem a ter a possibilidade de transmitir o vírus enquanto estão doentes, o surto irá continuar a crescer no ritmo atual.”

Guiné, Libéria e Serra Leoa foram os mais vitimados pela doença e há relatos de casos no Senegal e na Nigéria. A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta quarta-feira que o Ebola matou 3.879 pessoas entre os 8.033 casos confirmados, prováveis e suspeitos desde que a epidemia foi identificada na Guiné em março.

Nabarro elogiou Estados Unidos, Grã-Bretanha, União Africana e outros por convocar agentes de saúde e militares para construir e levar equipes a centros de tratamento nas áreas afetadas. Ele exortou todos os países a contribuírem de todas as formas possíveis para o esforço coletivo.

Ele também cumprimentou a República Democrática do Congo e Uganda por fornecerem médicos e enfermeiras capacitados.

“Eles tiveram a experiência de lidar com o Ebola em seus próprios países, e isso não tem preço”, declarou.

Um surto de Ebola que se acredita não ter relação com aquele no oeste africano foi relatado na República Democrática do Congo.

VENCER A BATALHA

Os sistemas de saúde nos países africanos atingidos não têm capacidade de lidar com a epidemia. Os centros de tratamento estão lotados e os agentes de saúde correm risco de contaminação.

Nabarro, que foi o coordenador de reação internacional da ONU nos surtos da gripe aviária e da influenza humana, disse que a escala da epidemia do Ebola está dobrando a cada duas ou três semanas.

“Por isso, um bom tratamento em um espaço isolado que permite às pessoas terem uma boa chance de recuperação é uma exigência fundamental”, afirmou. “Para isso, precisamos de pessoas experientes neste tipo de cuidado”.

No mês passado, a ONU criou sua primeira missão concebida especificamente para combater uma crise de saúde pública, a Missão para Resposta de Emergência ao Ebola (UNMEER, na sigla em inglês), sediada em Gana.

“Com certeza iremos vencer esta batalha”, disse Nabarro. “A questão é quando... e se conseguimos minimizar o número de pessoas que perderão suas vidas, ou o dano às economias dos países afetados enquanto isso estiver acontecendo”.

Nabarro disse apoiar a ideia de verificar passageiros de voos provenientes da região africana em questão para identificar indivíduos de alto risco que podem ter contraído o vírus, medida prestes a ser adotada em aeroportos dos EUA, mas que proibir viagens ou isolar as nações com casos de Ebola seria uma abordagem equivocada.

(Reportagem adicional de Angela Moore)

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