Chuva e desemprego pioraram as vendas nos EUA em junho

A maioria dos varejistas dos EUA registrou queda nas vendas em junho como resultado do aumento do desemprego e do tempo frio, chuvoso, que tiraram o interesse dos consumidores pelas compras de verão. Esse quadro aumentou a preocupação com a temporada de volta às aulas.

AARTHI SIVARAMAN, REUTERS

09 Julho 2009 | 18h00

Os resultados de junho representaram 10 meses seguidos de vendas em queda nas lojas que estão operando há pelo menos um ano - o mais longo período de perdas desde 2000, de acordo com os dados compilados pela Thomson Reuters.

Mais declínios são esperados. Uma entidade que representa os shopping centers prevê uma queda de 5 por cento nas vendas das lojas em julho em relação ao mesmo período do ano passado.

"Continuamos a ter um consumidor excepcionalmente estressado," disse Craig Johnson, presidente da empresa de pesquisa de varejo Customer Growth Partners. "Praticamente em todas as camadas há evidência de que os primeiros sinais de recuperação são poucos, quando há, em meio a um cenário muito sombrio."

A longa recessão, crescente perda de vagas de trabalho e acesso difícil ao crédito fizeram com que os consumidores busquem grandes descontos e comprem somente itens essenciais, como alimentos e artigos de higiene.

Mas alguns varejistas se agarram a suas previsões de ganhos e alguns até preveem boas perspectivas, depois de meses cortando estoques e custos.

As vendas de junho em relação ao mesmo mês do ano passado caíram 4,9 por cento no total, de acordo com os dados da Thomson Reuters. Mais da metade dos varejistas pesquisados tiveram vendas aquém do esperado. Os segmentos de artigos para adolescentes e de lojas de departamentos registraram as maiores perdas.

Nas lojas de departamento, as vendas caíram 8,9 por cento na Macy's e 10 por cento na rede Nordstrom.

Os dados de vendas do varejo são um termômetro da economia como um todo. Mas a decisão tomada em maio pela Wal-Mart Stores de parar de divulgar seus dados tornou difícil avaliar o desempenho total da indústria a cada mês, dizem analistas.

Junho normalmente marca o início do clima de verão e da demanda por itens como roupas, sandálias e equipamentos para churrasco.

Mas este junho foi o segundo mais frio em 10 anos, com chuvas recordes em cidades como Nova York, Boston e Chicago, diz a Planalytics, empresa que avalia o tempo.

Além disso, o estímulo que os varejistas tiveram no ano passado de consumidores que gastavam sua restituição de imposto não ocorreu este ano.

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