Citi comprará Wachovia; bancos europeus ganham resgate

O banco regional norte-americano Wachovia se somou às instituições financeiras que sucumbiram à crise mundial de crédito, ao mesmo tempo em que autoridades realizavam o resgate de uma série de bancos europeus em meio às expectaticas da votação do plano de ajuda ao sistema financeiro de 700 bilhões de dólares. O principal índice de ações norte-americano, Dow Jones, caía 2,7 por cento no início da tarde, seguindo um forte declínio dos mercados europeus e asiáticos, com o temor de que a crise está se espalhando. O S&P 500 tinha forte queda de 4,1 por cento e o Nasdaq desabava 4,7 por cento. Já os mercados abertos globais permaneciam congelados, mesmo com a medida tomada por bancos centrais de injetar dinheiro nos mercados em tentativa de aumentar liquidez. "Esses anúncios (dos bancos) não poderiam vir em pior hora, porque eles tiram a atenção do resgate em potencial", disse William Larkin, gerente de renda fixa do Cabot Money Management em Salem, Massachusetts. Mais cedo, o presidente norte-americano, George W. Bush, fez um apelo para que os parlamentarem aprovem o pacote de resgate rapidamente, dizendo que ele é necessário para impedir que a crise financeira se espalhe. O resgate veio muito tarde para o Wachovia, que acertou a venda da maior parte de seus ativos para o Citigroup, em um acordo intermediado pelo Federal Deposit Insurance Corp, órgão do governo dos Estados Unidos. "Neste momento de estresse do mercado, nós estamos comprometidos a tomar todas as ações necessárias para proteger nosso sistema financeiro e nossa economia", disse o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, depois de o acordo do Wachovia ter sido anunciado. Em todo o mundo, investidores se livravam de ativos considerados de risco. As ações mundiais tinham queda de mais de 4 por cento e estavam a caminho da sua maior perda em um único dia nos último 20 anos. Bancos centrais anunciaram uma expansão de 330 bilhões de dólares nos swaps cambiais, o que os permite aumentar a quantidade de dinheiro que eles podem fornecer a seus mercados domésticos, efetivamente injetando mais dinheiro na crise. Mais cedo, os governo da Bélgica, da Holanda e de Luxemburgo nacionalizaram parcialmente do grupo belgo-holandês Fortis NV, com uma injeção de mais de 16 bilhões de dólares, e o concessor de empréstimos alemão Hypo Real Estate Holding AG assegurou uma linha de crédito do governo e de bancos de até 35 bilhões de euros. "O contágio está se expandido à Europa continental e todos estão se perguntando 'quem é o próximo?'" disse Mark Sartori, chefe de negócios e comércio europeu do Fox-Pitt, Kelton em Londres. O acordo do Wachovia é o último de uma série de eventos que transformaram o cenário financeiro norte-americano, e acabaram com centenas de bilhões de dólares da riqueza de acionistas. No front político, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos se reunia para a votação do plano de resgate, que dará ao Tesouro os recursos para comprar as dívidas podres de bancos com problemas. A Casa Branca afirmou acreditar que tem os votos necessários para aprovar o pacote.

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