Colheita de cana do país deve ter tempo seco até setembro--Somar

A colheita de cana da região centro-sul do Brasil, maior produtor de açúcar do mundo, deverá prosseguir até setembro sem interrupção por conta de chuvas, as quais prejudicaram a moagem em maio e junho, segundo avaliação da Somar meteorologia nesta segunda-feira.

Reuters

20 de agosto de 2012 | 13h49

Em julho, as usinas de cana produziram 5,6 milhões de toneladas de açúcar, disse a Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar) em seu último relatório de moagem, levando a produção total a um total de 12,29 milhões de toneladas na temporada, que começou em abril.

O centro-sul do Brasil, agora em uma temporada de clima seco, deve continuar sem chuvas significativas até, pelo menos, a segunda metade de setembro, disse Celso Oliveira, da Somar meteorologia.

"Uma frente fria vai passar no início da próxima semana, mas irá causar chuvas apenas na costa e nos portos, não no interior, onde a colheita não deve ser afetada", disse.

As chuvas devem começar no segundo maior porto de açúcar do Brasil, Paranaguá, por volta de 27 de agosto e continuar até 29 de agosto. O principal porto, o de Santos, deve apenas ver chuvas em 29 de agosto, disse ele.

Os portos interrompem as operações de embarque e desembarque durante as chuvas, por falta de "shiploaders" cobertos.

O clima ficou seco nas últimas semanas, permitindo que os portos reduzissem a fila de navios à espera. Porém, em Paranaguá, ainda há uma longa fila de embarcações prontas para descarregar fertilizantes.

A estimativa de tempo aberto e seco para o cinturão produtor de cana não vai apenas permitir que as usinas produzam açúcar a plena capacidade, mas também deverá permitir uma melhora na qualidade da cana colhida, à medida que a safra converte mais da energia solar em sacarose.

Os níveis de sacarose na cana caíram após chuvas atipicamente fortes em maio e junho diluírem a concentração de açúcar nas plantas.

O clima chuvoso foi bom para plantio e início do desenvolvimento da cana e para o replantio dos campos, o que é um bom sinal para a safra do próximo ano.

O principal cinturão produtor de cana, que representa 90 por cento da produção brasileira de açúcar e etanol, está lentamente se recuperando após a primeira queda na produção em mais de uma década, no ano passado.

Analistas estimam que as usinas devem moer cerca de 510 milhões de toneladas de cana do centro-sul, ante as 494 milhões de toneladas da temporada passada.

EL NIÑO

Oliveira disse que o cinturão de cana poderia ver um El Niño fraco nesta temporada, semelhante ao ciclo 2006/07.

O fenômeno climático El Niño normalmente significa um clima mais úmido na metade inferior do Brasil.

Apesar de uma primavera mais úmida ser um bom sinal para as safras de soja e milho nas próximas semanas, isso atrapalha a colheita da cana por diluir os teores de sacarose, aumentando a sujeira nas máquinas e mantendo colheitadeiras fora dos campos.

"As chuvas devem começar dentro da previsão em setembro, mas nenhuma chuva foi prevista imediatamente", disse Oliveira.

(Reportagem de Reese Ewing)

Tudo o que sabemos sobre:
COMMODSCANABRASIL*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.