Conflito entre seguranças e MST deixa 2 mortos no PR

Um líder sem-terra e um segurança foram mortos a tiros durante um confronto hoje na fazenda experimental Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste, distante 530 quilômetros de Curitiba. De acordo com a Polícia Militar de Cascavel, outros oito ficaram feridos. O confronto aconteceu durante tentativa dos seguranças da propriedade de retomarem o local, que havia sido invadido pela manhã por cerca de 200 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina.Valmir Motta de Oliveira, de 32 anos, líder sem-terra, foi morto com dois tiros, um no abdômen e outro na perna. Valmir, que era conhecido como Keno, era uma das principais lideranças do MST no Oeste do Paraná e liderou a ocupação pela manhã na fazenda. O segurança morto, Fábio Ferreira, 25 anos, levou um tiro na cabeça. O confronto, de acordo com a Polícia Militar, aconteceu por volta das 13h30 em frente ao portão de entrada da fazenda."A gente estava na guarita fazendo a segurança do local, quando um Apolo e um microônibus chegaram com os seguranças. Eles desceram e começaram a atirar contra nós", conta uma sem-terra que escapou da morte e não quis sem identificada. Segundo ela, o confronto durou pelo menos 30 minutos. As marcas de tiros estão em toda à parte da guarita. "Foi um desespero geral porque se ouvia tiros sem parar. O Keno foi executado ao meu lado", conta a sem-terra.Outro líder do MST na região, Celso Ribeiro Barbosa, escapou ileso do confronto. O carro dele tem várias marcas de bala. "Os segurança da empresa vieram aqui para matar os líderes do movimento. Eu não tenho dúvida de que eu e o companheiro Keno éramos os alvos dos seguranças", denunciou. Ele culpou os ruralistas e a empresa pelo conflito."Vamos ficar na aérea. Agora é questão de honra", disse Barbosa. Ele negou que os sem-terra estivessem armados. A Polícia Militar mantém um efetivo de aproximadamente 100 homens no local. "A orientação é aguardar na fazenda para evitar novo confronto entre os agentes de segurança e os sem-terra. Também vamos aguardar a ordem do governo do estado para fazer a reintegração da fazenda", afirmou o capitão do 6º Batalhão da Polícia Militar de Cascavel, José Luiz de Oliveira. Segundo ele, quatro seguranças foram presos nas imediações da fazenda e encaminhados a Polícia Civil de Cascavel por participação no confronto.

MIGUEL PORTELA, Agencia Estado

21 de outubro de 2007 | 20h50

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