Cracolândia resiste após 1 ano de operação

A Operação Centro Legal completa nesta quinta-feira um ano e, segundo o governo estadual, foram realizadas 1.363 internações de dependentes químicos na cracolândia, após 152.995 abordagens durante o período. As ruas da região central de São Paulo permanecem, porém, repletas de usuários, sem nenhum indicativo de que o controverso método de impor "dor e sofrimento" implementado no início de 2012 para afastar as pessoas do crack tenha surtido efeito.

WILLIAM CARDOSO, Agência Estado

03 de janeiro de 2013 | 11h32

Ponto inicial da operação que colocou dependentes químicos para caminhar sem destino pelo centro, empurrados pela Polícia Militar, nas "procissões do crack", a Rua Helvétia tinha nesta quarta-feira (2) cerca de 150 usuários reunidos no "fluxo", como é chamado o aglomerado humano onde se compra, se vende e se consome a droga indiscriminadamente. Havia bases móveis da PM e policiais nas proximidades.

A operação terminou também em ação na Justiça, com o Ministério Público Estadual pedindo aos governo paulista R$ 40 milhões de indenização por danos morais coletivos. Segundo a ação, os usuários foram alvo de bombas, pancadas, cachorros e das caminhadas forçadas.

O governo recorreu da liminar concedida pela 7.ª Vara da Fazenda Pública, sem sucesso. Em dezembro, o Tribunal de Justiça voltou a negar efeito suspensivo da liminar. A expectativa agora é que as partes sejam chamadas para uma audiência.

Mesmo no âmbito policial, os resultados foram pouco expressivos. Segundo o governo estadual, foram apreendidos 100 quilos de drogas na cracolândia (um terço de crack), pouco se comparado com o que é recolhido em operações policiais realizadas nas estradas. Foram realizadas 763 prisões em flagrante e 211 condenados pela Justiça foram capturados - em toda a capital, são realizadas, em média, cerca de 30 mil prisões em flagrante por ano.

A Secretaria de Estado de Justiça, que coordena as ações na cracolândia, afirmou que a Operação Centro Legal "tem sido positiva e que a atuação naquela área vai persistir".

A secretaria afirmou que ação civil pública sobre a cracolândia é uma entre muitas que o Ministério Público ajuíza diariamente e que não vai se manifestar porque corre em segredo de Justiça. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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