DEM pede que procurador-geral investigue ministro da Integração

O DEM apresentou nesta terça-feira uma representação ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pedindo que ele investigue a conduta do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, após denúncias de que ele beneficiou seu filho e seu Estado de origem, Pernambuco, na liberação de recursos federais.

REUTERS

10 de janeiro de 2012 | 18h59

Além disso, o partido de oposição também quer que Gurgel abra investigação contra o ministro pelo descumprimento de um decreto federal que impede a prática de nepotismo, depois que a mídia revelou que seu irmão, Clementino Coelho, ocupava interinamente o cargo de presidente da Codevasf, estatal ligada ao ministério.

O pedido de investigação à PGR é mais um passo da oposição para pressionar o ministro a prestar explicações ou deixar o cargo.

"Pedimos que ele seja afastado do cargo", disse o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO).

Segundo o oposicionista, a presidente Dilma Rousseff deveria afastá-lo depois que ficou comprovada a prática de nepotismo e a má gestão dos recursos federais para prevenção de catástrofes naturais.

Apesar da pressão, Dilma tem demonstrado confiança nas explicações do auxiliar.

Demóstenes disse ter esperança de que Gurgel abra a investigação, apesar de ele "ser lento demais", nas análises, na avaliação do senador.

Em outubro, o então ministro do Esporte, Orlando Silva, deixou o cargo ao ver sua situação no governo ficar insustentável após o Supremo Tribunal Federal (STF) acatar pedido da PGR para que ele fosse investigado.

Nesta terça, um outro pedido da oposição foi acatado pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o ministro prestará explicações para uma Comissão Representativa do Congresso Nacional na próxima quinta-feira. Bezerra confirmou que vai ao Congresso se explicar.

FAVORECIMENTO

Na segunda-feira, o Ministério da Integração Nacional divulgou nota em que Bezerra nega o favorecimento ao seu filho e afirma que as denúncias se devem ao "acirramento eleitoral" por conta da disputa municipal deste ano.

Coelho Filho postula a candidatura à prefeitura de Petrolina, cidade que já foi governada por Bezerra. O ministro, por sua vez, trocou seu domicílio eleitoral para Recife e pode ser candidato à prefeitura da cidade caso o PSB, partido do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, decida lançar candidato ao comando da capital pernambucana.

As denúncias sobre a destinação de verbas do Ministério da Integração vêm em um momento em que as fortes chuvas de verão voltam a castigar o país, em especial a Região Sudeste.

Em outra acusação, a Casa Civil isentou o ministro de ter cometido nepotismo ao manter o irmão, Clementino Coelho, na presidência interina da Codevasf. Nesta terça, o governo nomeou Guilherme de Almeida para substituir o irmão de Bezerra.

Desde junho do ano passado, sete ministros deixaram o governo Dilma, seis deles em meio a denúncias de irregularidades. A queda de ministros após acusações publicadas pela imprensa foi um dos fatos mais marcantes do primeiro ano de governo Dilma.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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