Egípcios se preparam para mais protestos contra governo militar

Ativistas egípcios pediram um comparecimento massivo nos protestos desta terça-feira pelo fim do governo dos militares, que também viram sua autoridade ser desafiada pela renúncia do gabinete civil, trazendo incertezas sobre as eleições, previstas para a próxima semana.

DINA ZAYED, REUTERS

22 de novembro de 2011 | 09h12

Cerca de 200 mil pessoas protestaram na praça Tahrir, no Cairo, durante a noite, apesar da morte de ao menos 33 manifestantes desde sábado. Mas os protestos ainda devem atrair as centenas de milhares que derrubaram o presidente Hosni Mubarak em fevereiro.

"O povo quer a queda do marechal", gritavam os manifestantes, referindo-se ao marechal Mohamed Hussein Tantawi, ministro da Defesa de Mubarak por duas décadas e atual chefe do conselho do Exército.

"Esta terra pertence aos egípcios. Não está à venda e não necessita de guardiões", dizia um cartaz. "Todos os egípcios demandam um Egito governado por civis", dizia outro.

Enquanto várias pessoas usavam cobertores para se proteger do frio e outras buscavam seu café-da-manhã com vendedores de rua, os manifestantes reclamavam que estavam sendo cercados pela polícia na Praça Tahrir.

"Eles estão tentando limitar o espaço em que podemos nos mexer", disse um manifestante. "Eles querem nos cercar dentro da praça, para afetar nosso moral, e estão fazendo isso polegada por polegada."

O conselho governista pediu calma na noite de segunda-feira e negociações emergenciais com as forças políticas para encontrar uma solução para a crise. O conselho disse "lamentar profundamente pelas vítimas desses dolorosos incidentes", disse a agência estatal Mena.

O conselho militar não disse se aceitaria a renúncia do gabinete, apresentada no domingo. Segundo uma fonte militar, o conselho estava buscando um acordo com o novo primeiro-ministro.

A renúncia do gabinete, efetivo desde março, foi mais um golpe à autoridade do conselho militar e traz mais dúvidas para as primeiras eleições parlamentares do Egito em décadas, que devem começar na próxima segunda-feira.

Manifestantes têm acusado as forças de abrir fogo na Praça Tahrir, onde a polícia usou cassetetes e gás lacrimogêneo para tentar dispersar os manifestantes. A polícia nega ter usado armas de fogo.

Fontes médicas do principal necrotério do Cairo disseram que 33 corpos foram recebidos desde sábado, na maior com marca de tiros. O Ministério da Saúde registrou 24 mortes e 1.250 feridos.

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