Em SP, doador de sangue é barrado ao se declarar gay

O funcionário público R.F.S., de 37 anos, doa sangue regularmente há mais de 18 anos. Ontem, ele declarou sua condição de homossexual durante a entrevista de praxe ao funcionário do banco de sangue do Hemonúcleo de Sorocaba, no interior paulista. A sua doação foi então recusada. Ele se considerou discriminado e questiona os critérios da norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que coloca os homossexuais no mesmo grupo de risco de prostitutas e usuários de droga. "Expliquei que sou homossexual, mas mantenho uma relação estável há cinco anos." Ele não se considera "um risco" para pessoas que recebem o seu sangue, pois se relaciona apenas com seu parceiro e faz exames regulares. R.F.S. acha que, se tivesse mentido, teria continuado a doar sangue normalmente. "Pode haver outros doadores que escondem sua real condição." O servidor público ainda não decidiu se vai tomar alguma medida contra a recusa. "Não acho justo não poder doar somente pelo fato de ter admitido minha opção sexual." O médico Frederico Guimarães Brandão, responsável técnico pelo Hemonúcleo, disse que o funcionário se limitou a seguir a norma da Anvisa que regulamenta as doações. "Existem várias situações consideradas de risco e essa é uma delas", disse Brandão. "Não nos cabe discutir a norma, apenas colocar em prática", completou. Para a Anvisa, os critérios estabelecidos pela resolução 153, de 14 de junho de 2004, são exclusivamente técnicos e não discriminam os homossexuais.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agencia Estado

03 de outubro de 2007 | 17h52

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