''Estamos muito abaixo do nosso potencial''

Isak Kruglianskas, da Fundação Instituto de Administração

AFRA BALAZINA e ANDREA VIALLI, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2010 | 00h00

Isak Kruglianskas, coordenador do Programa de Gestão Estratégica Socioambiental da Fundação Instituto de Administração (FIA), alerta para o risco de o País ter o caminho da energia limpa desviado por conta do pré-sal. Ele é o criador do Encontro Internacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente, que está em sua 12.ª edição e ocorre na USP nesta semana.

Como o senhor vê a ênfase do governo no pré-sal?

O governo tem falado sobre o pré-sal como a grande riqueza que viabilizará soluções para problemas cruciais do País. Um dos grandes problemas é o fato de o discurso focar muito mais a partilha dos resultados do que a estratégia de exploração dessa riqueza. Dependendo das tecnologias e custos de extração, sua exploração econômica pode não se mostrar competitiva. Portanto, acredito que seja essencial dar continuidade e apoio político e financeiro às iniciativas de desenvolvimento de tecnologias de produção de energias alternativas de baixa emissão de CO2, como os biocombustíveis, a eólica e o hidrogênio.

E como o sr, avalia o crescimento da energia eólica no País?

Estima-se que o potencial de energia eólica no Brasil seja da ordem de 143 mil megawatts, o que representa uma vez e meia a potência de geração elétrica instalada no País, que é da ordem de 106 mil megawatts. Desse grande potencial de geração de energia eólica temos instalado menos de 1 mil megawatts. A conclusão, portanto, é que estamos muito abaixo do nosso potencial.

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