Estrela é engolida por outra e sobrevive

Astrônomos descobriram duas pequenas estrelas - uma anã branca e uma anã marrom - tão perto uma da outra que a proximidade só pode ser explicada se uma delas já tiver estado no interior da companheira. Observadas pelo telescópio VLT do Observatório Europeu Sul (ESO), no Chile, as estrelas estão separadas por uma distância menor que o raio do Sol."Esse sistema tem que ter tido uma história traumática", disse Pierre Maxted, principal autor do artigo sobre as estrelas, publicado na revista Nature. "Sua existência prova que a anã marrom escapou quase intacta de um episódio no qual foi engolida por uma gigante vermelha".Estrelas anãs brancas são "cadáveres" espaciais, os restos de estrelas que, durante a maior parte de suas vidas, foram muito parecidas com o Sol. Quando o combustível da fusão nuclear que sustenta a estrela se esgota, ela primeiro se expande, transformando-se numa gigante vermelha, em seguida se contrai, reduzindo-se a uma anã branca.Os cientistas afirmam que as duas estrelas recém-descobertas não estavam tão perto uma da outra no passado, mas que, quando o astro que deu origem à anã branca se expandiu, ele engoliu a anã marrom que, capturada, mergulhou em direção ao núcleo da companheira. Mas as camadas externas da gigantes vermelha acabaram ejetadas, deixando para trás um sistema binário no qual os dois objetos giram muito perto um do outro, completando uma volta a cada duas horas. A velocidade da anã marrom é de 800.000 km/h. Segundo Maxted, se a anã marrom tivesse menos massa, ela teria evaporado durante a expansão da gigante vermelha. Mas ela ainda não escapou: as duas estrelas devem continuar a se aproximar. "Dentro de cerca de 1,4 bilhão de anos, o período orbital terá caído para pouco mais de uma hora", disse Ralf Napiwotzki, um co-autor do estudo. "Quando chegarem tão perto, a anã branca vai funcionar como um enorme aspirador de pó, atraindo gás da companheira, num canibalismo cósmico".

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