Ex-secretário é indiciado por fraude em hospital

Jorge Pagura, médico que ocupava pasta estadual de Esportes, é suspeito de receber por plantões não realizados no Conjunto Hospitalar de Sorocaba

JOSÉ MARIA TOMAZELA, SOROCABA, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2011 | 03h01

O neurocirurgião Jorge Roberto Pagura, ex-secretário estadual de Esportes, Lazer e Juventude de São Paulo, foi indiciado ontem no inquérito que apura irregularidades no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS).

Acusado de ter recebido por plantões médicos que nunca deu no hospital, Pagura foi ouvido pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) na sede do Ministério Público de São Paulo. Segundo o MPE, ele responderá pelos crimes de formação de quadrilha e falsificação de documentos.

O ex-secretário saiu da audiência sem dizer nada, por orientação de seu advogado, Frederico Crissiuma Filho. De acordo com a defesa, Pagura não cometeu nenhuma irregularidade.

Fraudes. Além de Pagura, também foi indiciado o ex-diretor do CHS Sidney Abdalla, que responderá pelos crimes de favorecimento em licitações, prorrogação ilegal de contratos e formação de quadrilha.

As fraudes no hospital de Sorocaba causaram a prisão de 12 pessoas em junho - todas foram liberadas dias depois (mais informações nesta pág.). Pagura não foi preso, mas, assim que as investigações se tornaram públicas, ele pediu demissão ao governador Geraldo Alckmin. Durante as investigações, o ex-secretário foi flagrado em escuta telefônica com o ex-diretor do CHS Roberto Salim.

Na conversa, Salim propõe que Pagura assine o ponto de frequência em outro hospital. "O seu ponto está sob controle, mas vamos tomar cuidado. Semana que vem vamos pôr em algum lugar mais seguro", afirma Salim.

A Polícia Civil também encontrou, em um armário da Diretoria Regional de Saúde de Sorocaba, folhas de frequência de Pagura nos plantões de 2009 e 2010.

Ilegal. A defesa de Pagura questiona a validade das investigações. Segundo Crissiuma Filho, seu cliente era secretário de Estado no período da investigação e só poderia ter o sigilo telefônico quebrado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, e não pela Justiça de Sorocaba, como ocorreu.

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