Falta de barco que monitora tubarão será usado em ação

A suspensão, desde dezembro, das atividades do barco Sinuelo, que monitora a presença de tubarões em Pernambuco, deverá ser um dos principais argumentos do processo da família de Bruna da Silva Gobbi contra o governo do Estado. Bruna, de 18 anos, morreu após ser atacada na praia de Boa Viagem, no Recife, na segunda-feira, 22. O barco voltou a operar nesta quarta-feira, 24.

ANGELA LACERDA, Agência Estado

24 de julho de 2013 | 20h00

"A ausência deste barco, que os pesquisadores dizem ser importante para manter os tubarões longe da costa, será mais um fator que vamos apresentar", disse o tio de Bruna, o comerciante Davi Leonardo Alves, de Olinda. A família deverá procurar um advogado até a próxima semana.

O Ministério Público de Pernambuco, que quer que a praia seja interditada ao banho. O promotor da Defesa da Cidadania da capital, Ricardo Coelho, solicitou ao Comitê de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) que indique os trechos de praia e os períodos mais perigosos para recomendar sua interdição. No entanto, para o secretário estadual da Casa Civil, Tadeu Alencar, "não há critérios técnicos que justifiquem tal adoção".

O comerciante afirma que Bruna e sua prima Daniele Ariane da Silva Souza, de 26 anos, estavam na água rasa quando foram puxadas por uma corrente que as levou a correr risco de afogamento. "Logo depois veio o tubarão, a tragédia."

Daniele contou que elas chegaram a fazer foto da placa de alerta sobre a presença de tubarões, na praia. Também confirmou que um dos primos havia entrado no mar e dois bombeiros que percorriam a orla os chamaram e avisaram do perigo na área. "Mas ninguém falou de tubarão", disse Alves.

O corpo de Bruna foi enterrado nesta quarta-feira no Cemitério de Escada, na Zona da Mata, terra da sua família materna. Moradores da cidade compareceram, em solidariedade. A praia de Boa Viagem ficou vazia, apesar do dia de sol.

Desde 1992 ocorreram 59 ataques de tubarão, com 24 mortes, em uma faixa de 30 quilômetros da praia do Carmo, em Olinda, à praia do Paiva, em Cabo de Santo Agostinho. Nesta extensão, há 88 placas de aviso sobre o perigo de tubarões.

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