Heloise Hamada - iFronteira/Estadão
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Família fica enclausurada em casa por mais de 2 anos no interior de SP

Um dos filhos disse que se sentia perseguido depois de se envolver em conflitos com parentes da esposa, que está grávida de cinco meses

Sandro Villar, Agência Estado

10 de janeiro de 2014 | 16h45

Uma família de cinco membros - pai, mãe, filhos e nora - passou os últimos dois anos e meio vivendo em completo isolamento em uma casa no bairro Parque Cedral, em Presidente Prudente, no oeste paulista. Avisada por parentes, a Polícia Militar resgatou a família na quarta-feira, 8. Todos estavam amedrontados e só se acalmaram quando perceberam que eram policiais que estavam na casa.

Durante todo o tempo de clausura, nenhum deles deixou a residência. "Não saíam nem na varanda nem na rua para levar o lixo, eles fizeram um pacto de autoproteção, se sentiam ameaçados e decidiram se enclausurar, deixando a casa fechada dia e noite, com luz acesa na garagem, e sem preocupação com limpeza", explica Maria Helena Veiga Silvestre, de 51 anos, diretora da Secretaria Municipal de Assistência Social, lembrando que a faixa etária deles é de 40 a 67 anos.

Um motoboy, amigo da família, pagava as contas e também levava alimentos.

As contas e as compras de supermercado eram pagas com a aposentadoria do pai. "Ele ganha R$ 650, mas é o dono da casa", observa a diretora. Um dos filhos disse que se sentia perseguido depois de se envolver em conflitos com parentes da esposa, que está grávida de cinco meses. "Foi o que ele contou, temendo ser agredido resolveu procurar o pai e todos os cinco passaram a viver isolados da sociedade, com medo de serem descobertos", diz Veiga Silvestre.

Ela descartou o uso de drogas e álcool pelo rapaz: "Perguntei sobre isso (uso de drogas e álcool), ele negou com veemência". A Polícia Militar também não constatou indícios de crimes e, por isso, acionou a Assistência Social.

Exames

Os cinco foram examinados nesta sexta-feira, 10, por médicos do Hospital Regional de Presidente Prudente. Eles deverão ser encaminhados para hospitais psiquiátricos, segundo a diretora da Secretaria Municipal de Assistência Social. Segundo a PM, os parentes proibiram a divulgação dos nomes dos resgatados.

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