Farc veem 'avanço' no processo de paz, apesar de aumento do conflito

A guerrilha Farc disse na terça-feira que a negociação de paz com o governo da Colômbia avança com "coincidências" de opinião a respeito do complexo tema agrário, e apesar do recente recrudescimento do conflito com sequestros, ataques e bombardeios que deixaram muitas vítimas na ultima semana.

ROSA TANIA VALDÉS, Reuters

05 de fevereiro de 2013 | 17h27

A maior guerrilha colombiana negou na segunda-feira que haja uma crise no diálogo mantido desde novembro em Havana com o governo do presidente Juan Manuel Santos, e minimizou a importância da recente intensificação dos atos de guerra.

"Estamos avançando, é a única coisa que posso dizer -que há coincidências, claro que há coincidências", disse a jornalistas Iván Márquez, chefe da equipe negociadora das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

"A delegação do governo também sabe que estamos avançando, que estamos discutindo em um ambiente muito positivo, e com toda segurança acho que com isso ganha o país", disse Márquez ao chegar ao centro de convenções onde o diálogo acontece.

A delegação do governo, liderada pelo ex-vice-presidente Humberto de la Calle, entrou na sessão de terça-feira sem falar com a imprensa.

Ataques da guerrilha na última semana mataram pelo menos 12 militares colombianos. Dois policiais e um soldado foram sequestrados.

Márquez disse ter poucos detalhes sobre os sequestrados, mas garantiu que sua libertação deve ser breve. "Estamos sujeitos aos preparativos, às garantias que devem ser dadas nesses casos . Temos de esperar um pouco o desenrolar desse fato que, com toda a segurança, conduzirá à libertação dos mencionados."

Autoridades colombianas acusaram as Farc também de sequestrarem funcionários de uma empresa que presta serviços à estatal petrolífera Ecopetrol, numa região de selva próxima ao Equador.

E, na segunda-feira, as Forças Armadas disseram que sete guerrilheiros e cinco membros das forças de segurança morreram em combates e ataques em diferentes regiões do país. As negociações com vistas ao fim de um conflito que já dura quase meio século envolvem cinco temas. O primeiro a ser debatido é o tema fundiário.

Novamente, o negociador da guerrilha evitou citar prazos para o final da negociação de paz. "Não posso dizer quanto tempo, porque as discussões devem ser desenvolvidas com muita responsabilidade, olhando todos os detalhes, de tal modo que as partes fiquem satisfeitas com as redações que vão sendo elaboradas", afirmou.

O grupo rebelde marxista anunciou em nota na terça-feira que revelará "oito propostas mínimas para o ordenamento social e ambiental, democrático e participativo do território, do direito à agua e dos usos da terra".

(Reporte de Rosa Tania Valdés)

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