Flanelinhas e cambistas detidos ao redor do Pacaembu

SÃO PAULO - Três cambistas e 53 flanelinhas foram detidos, na noite desta quarta-feira, 9, no entorno do estádio do Pacaembu, zona oeste da capital paulista, horas antes do início do jogo entre Corinthians e Emelec - partida válida pelas oitavas-de-final da Taça Libertadores da América - numa operação conjunta entre as policiais Civil e Militar e a Prefeitura de São Paulo.

Ricardo Valota, do estadão.com.br, e Gio Mendes, do Jornal da Tarde,

10 Maio 2012 | 02h11

 

A ação dos flanelinhas é considerada exercício ilegal de profissão, pois, segundo o delegado Fernando Shimidt de Paula, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), desde 1975 a função de guardador de carro em via pública é regulamentada por uma lei federal e aquele que não está cadastrado acaba cometendo uma contravenção, "crime" que resulta, horas depois, em liberação mediante pagamento de fiança ou não.

 

De acordo com o delegado, a Polícia Civil está planejando realizar esse tipo de operação em outros locais, como casas de shows e universidades, para coibir a ação dos guardadores. "Ainda não definimos com que frequência serão feitas essas operações, mas pretendemos atuar nos grandes eventos da cidade", disse Shimidt. Os flanelinhas cobravam R$ 50 dos torcedores que estacionavam nas ruas próximas ao estádio.

 

"Eles aproveitam jogos importantes para extorquir dinheiro dos motoristas", protestou o gerente de produção Jefferson Luís de Souza, de 25 anos, que foi ontem ao estádio com o filho de 8 anos. Ele se negou a pagar o valor pedido e, após circular pelo bairro, conseguiu parar o carro em uma travessa da Avenida Pacaembu, onde havia uma equipe da Polícia Militar.

 

"Foi sorte achar essa vaga, mas geralmente eu pago o que os flanelinhas pedem para não ter o carro riscado ou o pneu furado", afirmou Souza, que elogiou a ação da Polícia Civil. "Deveria ter mais ações desse tipo, pois os motoristas são ameaçados pelos flanelinhas", contou.

 

Todos os detidos foram encaminhados para a delegacia e só devem permanecer presos os que devem alguma coisa à justiça, os chamados "foragidos" ou "procurados". A falta de estacionamento no entorno do estádio obriga muitos torcedores a deixar os carros na rua.

 

Abordado pelos flanelinhas, às vezes de forma até intimidatória, o motorista, com medo de ter o carro danificado depois de dar as costas, acaba pagando para os tais "guardadores", que cobram o preço que querem e exigem receber antecipadamente.

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