Forças sírias atacam cidade no norte do país; moradores fogem

Tanques e helicópteros sírios atacaram neste sábado a cidade de Jisr al-Shughour, no norte do país, segundo moradores. A TV estatal relatou combates entre tropas do governo e os rebeldes que se opõem ao presidente Bashar al-Assad.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

12 Junho 2011 | 16h30

Mais de 5.000 sírios cruzaram a fronteira para deixar o país em direção à Turquia, e um porta-voz da agência da ONU para refugiados afirmou que o Crescente Vermelho preparava um quarto campo para refugiados, com lugar para mais 2.500 pessoas. De acordo com testemunhas, cerca de dez mil sírios se concentram junto à fronteira.

O ataque a Jisr al-Shughour, cidade junto a uma importante rodovia no noroeste da Síria, é a mais recente ação das forças de segurança para reprimir opositores do governo que reivindicam liberdades políticas. Tal movimento de oposição não tem precedente nos 11 anos do governo Assad.

Moradores afirmaram que a maioria dos 50 mil habitantes da cidade fugiu em direção à fronteira com a Turquia, a 20 quilômetros de distância. Segundo eles, tanques e helicópteros dispararam contra a cidade.

O governo sírio baniu jornalistas internacionais do país, o que torna difícil verificar relatos.

"Combates pesados ocorrem entre unidades militares e integrantes das organizações armadas em Jisr al-Shughour", afirmou a TV estatal. Militares teriam desarmado bombas em pontes e ruas da cidade.

"Dois integrantes das organizações armadas foram mortos, um grande número deles foi preso, e armas foram apreendidas", disse a TV.

De acordo com o canal estatal, as forças acharam o local onde foram enterrados os corpos dos agentes de segurança que teriam sido mortos por grupos armados em Jisr al-Shughour. Os corpos teriam marcas de "atrocidades" cometidas, mas a TV não deu detalhes.

Na semana passada, o governo havia dito que "gangues armadas" tinham matado mais de 120 integrantes das forças de segurança.

Refugiados e grupos de direitos humanos afirmaram que os mortos eram soldados que se rebelaram, executados por se recusar a atirar contra civis.

Os Estados Unidos acusaram o governo sírio de criar uma "crise humanitária" e pediram, além do fim dos ataques, o acesso da Cruz Vermelha para ajudar refugiados, presos e feridos.

(Reportagem adicional de Alexandra Hudson na Turquia)

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