Governo do RJ distribuirá alimento em favela ocupada

O novo secretário de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro, Rodrigo Neves, afirmou hoje que o governo vai assumir a distribuição "emergencial" de alimentos a 300 famílias de 9 favelas de Santa Teresa e do Complexo de São Carlos "que recebiam cestas básicas do poder paralelo". Segundo ele, o pedido foi feito por representantes de moradores após a operação policial realizada no dia 6 para a futura instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas favelas.

FELIPE WERNECK, Agência Estado

15 de fevereiro de 2011 | 19h57

"Dentre as demandas surgidas um dia após a ocupação, nos surpreendemos com a apreensão e preocupação em relação à assistência emergencial de 300 famílias mais miseráveis que recebiam cestas básicas do poder paralelo", afirmou Neves. A presidente da Associação dos Moradores de São Carlos, Mara Dantas, negou que houvesse distribuição de alimentos por traficantes. "A cesta básica que vem é da (cervejaria) Itaipava e do posto de gasolina do Estácio. Pelo menos aqui na minha área não vinha nada do tráfico", declarou. Ela, no entanto, disse que a nova doação será "bem-vinda". Eliza Brandão, presidente da Associação de Moradores dos Prazeres, outro morro ocupado no dia 6, também afirmou que não havia distribuição bancada por traficantes. "Aqui não existia isso. Podia ter uma ajuda ou outra, casos isolados, mas nada contínuo."

Há pouco mais de um mês no cargo, Neves afirmou que o apoio emergencial será assegurado até a inclusão dessas famílias nos programas formais de transferência de renda. "Nossa previsão é que isso ocorra em um mês." Indicado pelo PT, o secretário, de 34 anos, disse que uma equipe técnica vai apurar a elegibilidade das 300 famílias ao programa emergencial de segurança alimentar "a partir de critérios formais e objetivos dos indicadores socioeconômicos e de risco social". "Ao mesmo tempo em que era feito o auxílio (por traficantes), era impedido o acesso a programas como o Bolsa Família. Vamos estabelecer um cronograma para inclusão dessas famílias no Cadastro Único de programas sociais", disse Neves.

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