Groenlândia derreteria com temperatura mais baixa que o previsto

O derretimento completo da camada de gelo da Groenlândia pode ocorrer em temperaturas mais baixas do que antes se pensava, segundo estudo divulgado neste domingo no periódico Nature Climate Change. A pesquisa, assim, reforça a ameaça de aumento do nível do mar.

NINA CHESTNEY, REUTERS

11 Março 2012 | 17h19

O derretimento substancial do gelo pode contribuir com o aumento em alguns metros do nível do mar a longo prazo, o que potencialmente ameaçaria a vida de milhões de pessoas.

"Nosso estudo mostra que a temperatura para o derretimento da camada de gelo tem sido sobrestimada até agora", disseram os cientistas do Instituto de Potsdam e da Universidade Complutense de Madri. Eles usaram simulações de computador para prever o comportamento da natureza.

O derretimento completo poderia acontecer se a temperatura global aumentar entre 0,8 e 3,2 graus Celsus acima dos níveis pré-industriais. A melhor estimativa, segundo os cientistas, seria 1,6 graus.

Pesquisas prévias sugeriam que para o derretimento completo essa variação teria que ser entre 1,9 e 5,1 graus.

A Groenlândia tem um quarto do tamanho dos Estados Unidos e 80 por cento do seu território coberto por gelo. Se tudo derretesse, isso impliciaria num aumento de 6,4 metros do nível do mar.

"Se a temperatura aumentar por um longo período, o gelo vai continuar a derreter e não voltará a crescer, mesmo se o clima, depois de milhares de anos, voltar ao estado pré-industrial", afirmou o cientista Andrey Ganopolski, do Instituto de Postdam.

Hoje, já foi registrado um aquecimento global de 0,8 graus.

Se não hover nenhuma medida para limitar o efeito estufa, a Terra pode se aquecer em 8 graus.

"Isso iria resultar em um quinto da camada de gelo derretida em 500 anos, e um derretimento completo em 2.000 anos", declarou Alexander Robinson, também responsável pelo estudo.

"Isso não é algo que alguém chamaria de um rápido colapso. No entanto, se pensamos na história do nosso planeta, isso é rápido. E podemos estar nos aproximando do limite crítico."

(Reportagem por Nina Chestney)

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