Guatemala acusa EUA de boicotar cúpula sobre narcotráfico

O presidente da Guatemala, Otto Pérez, acusou na quinta-feira os Estados Unidos de pressionar líderes centro-americanos a boicotarem uma reunião convocada para sábado passado para discutir a política regional contra o narcotráfico, incluindo a possibilidade da descriminação.

REUTERS

29 Março 2012 | 22h02

"O boicote (...) foi do temor que surgiu nos Estados Unidos de que a região pudesse unificar-se em torno da descriminação", disse Pérez, um general aposentado, a jornalistas.

Durante a cúpula, Pérez fez várias propostas para enfrentar a crescente violência do narcotráfico na América Central, incluindo descriminalizar a produção e o consumo de drogas, e fazer com que países consumidores como os Estados Unidos paguem as contas pelas prisões e operações contra narcotraficantes.

Na quarta-feira, o presidente de El Salvador, Mauricio Funes, disse que ele e os presidentes Daniel Ortega (Nicarágua) e Porfirio Lobo (Honduras) rejeitaram participar do encontro porque não concordam com a visão de Pérez sobre a descriminação.

No mês passado, durante visita à Guatemala, Funes disse apoiar o debate sobre a descriminação, mas rapidamente mudou a postura no retorno a El Salvador.

Pérez considera que ele cedeu à presão dos Estados Unidos.

"Utilizaram a posição do presidente de El Salvador para fazer este boicote, porque acreditavam que podíamos nos unir pela descriminação", disse Pérez.

Nas últimas semanas, o vice-presidente norte-americano, Joe Biden, e a secretária de Segurança Nacional, Janet Napolitano, viajaram à região e rejeitaram a descriminação.

Napolitano disse que Washington seguirá apoiando os esforços na América Latina para perseguir produtores e traficantes de drogas.

(Por Mike McDonald)

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