Haddad diz ao PT que depende de aval de Lula

O ministro da Educação, Fernando Haddad, deu ontem mais um passo na estratégia para se colocar como alternativa para disputar o governo de São Paulo em 2010.

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

20 Dezembro 2009 | 00h00

Reunido a portas fechadas com a Executiva Estadual do PT, ele deixou claro que está disposto a entrar na corrida para o Palácio dos Bandeirantes. Mas disse que a movimentação depende de aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de apoio interno no partido.

Na conversa, relatada por participantes da reunião, Haddad não economizou nas críticas ao governador José Serra (PSDB) e disse ter todo o interesse em integrar um projeto alternativo à atual administração. Mas o ministro deixou claro que não vai bater de frente com o Palácio do Planalto, que trabalha para tirar o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) da corrida presidencial e lançá-lo em São Paulo.

Haddad disse ainda que a primeira sugestão para que saísse candidato partiu de Lula. Ele admitiu, entretanto, que o próprio presidente apontou a falta de apoio ao seu nome no PT como o maior obstáculo. Lula, contou o ministro, brincou dizendo que lhe faltavam "garrafas para vender" no partido.

A reunião faz parte de uma série de sabatinas que o PT paulista planeja realizar com pré-candidatos. Ainda assim, Haddad desconversou sobre a candidatura na saída do encontro. "Eu vim aqui mais como cientista político", afirmou, sem conter o riso. "Quando fui convidado a ser ministro da Educação, me foram colocadas duas condições: apresentar em 60 dias o Plano de Desenvolvimento da Educação e permanecer no governo até o final do mandato", continuou.

Haddad chegou a dizer que considera o senador Aloizio Mercadante (SP) e a ex-prefeita Marta Suplicy os melhores nomes para a vaga. Mas desconversou quando questionado sobre o favoritismo que cerca o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci no PT. "Não sei se o Palocci se colocou. Acho que não. Não se colocou, nunca foi candidato."

O presidente estadual do PT, Edinho Silva, disse que a exposição de Haddad foi "extremamente valorizada" pela direção partidária. "O PT-SP está de portas abertas se ele quiser oferecer seu nome", disse. Aliados de Haddad comemoraram. "Foi um gesto importante e reforça a nossa luta pela candidatura própria", disse o deputado estadual, Simão Pedro.

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