Haddad questiona Defensoria Pública por querer cobrar multa do governo

Em entrevista na Base Aérea de Brasília, depois de assistir à apresentação de alunos da escola D. Lindu, de Tocantins, para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Educação, Fernando Haddad, questionou a intenção da Defensoria Pública da União (DPU) no Rio de Janeiro de querer cobrar multa do governo no valor de um salário mínimo para cada um dos alunos prejudicados pelos erros do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). "Este é um processo que vai se aperfeiçoando. Não entendi bem a proposta (da DPU)", disse Haddad.

Tânia Monteiro, Agência Estado

23 de novembro de 2010 | 20h47

"As pessoas estão sendo reconvocadas para prova e a reconvocação já fizemos no ano passado, normalmente. Com isso, as pessoas vão realizar os exames nas mesmas cidades onde foram convocadas, assegurando um direito", justificou o ministro, acrescentando que é preciso dar sustentabilidade ao Enem. "Se há 0,1% de alunos atingidos, eles são reconvocados, reconfirmados, fazem a prova que perderam e os resultados são divulgados no mesmo período, sem qualquer prejuízo. Eu, pelo menos, não vejo problema", prosseguiu.

Em relação à nova data do Enem para os mais de 2.800 alunos que foram prejudicados, 15 de dezembro, ser no meio da semana, o ministro explicou que "foi a melhor data, que os alunos não estarão mais em período letivo e nesta data fica fácil fazer locação das salas nas cidades onde ocorreram problemas". Além disso, prosseguiu, "vários vestibulares são marcados em dia de semana e não há problema".

Para o ministro, os problemas ocorridos não colocam em "xeque" o Enem. "Se dizia isso e o Enem saiu fortalecido. O que o País está discutindo é manter o processo seletivo de vestibular ou não, ou enfrentar o desafio da mudança", disse. "As universidades estão sinalizando que preferem enfrentar o desafio da mudança do que ficar com um modelo anacrônico e único no mundo, que é o modelo do vestibular, que tanto prejuízo tem causado à qualidade do ensino médio. É isso que está em jogo", acrescentou. O ministro justificou ainda que o "o Enem foi reformatado para enfrentar problemas desta natureza, como erro de impressão".

Haddad disse que não conversou com a presidente eleita, Dilma Rousseff, e nem foi chamado para isso. Indagado se esses novos problemas no Enem poderiam custar sua permanência no governo, respondeu: "Uma pessoa que quer fazer uma mudança como esta não pode se preocupar com isso porque é um desafio muito grande". E completou: "Se você for ficar preocupado com isso para tomar as decisões que você acha corretas, é melhor não ocupar (o cargo de ministro), ou então ocupá-lo da maneira mais fácil, que é não fazer nada".

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