Hamas reivindica pior atentado em 2 anos em Israel

O Hamas assumiu na sexta-feira aresponsabilidade pelo ataque que matou oito alunos numseminário judaico de Jerusalém, o pior ataque palestino emterritório israelense nos últimos dois anos. O grupo islâmico, que também reivindicou a responsabilidadepor um carro-bomba há um mês, havia prometido retaliar depoisda ofensiva israelense dos últimos dias na Faixa de Gaza, quedeixou cerca de 120 mortos, sendo metade deles civis. O ataque de quinta-feira foi provocado por um homem queentrou armado na biblioteca da escola religiosa Merkaz Harav. O atentado ameaça o já precário processo de paz, mas Israeldisse que vai manter o diálogo com o presidente palestino,Mahmoud Abbas, que pertence à facção Fatah, rival do Hamas. Os Estados Unidos disseram que "o mais importante" é que odiálogo seja mantido. No funeral das vítimas havia menosentusiasmo com o processo de paz. Aumentando a tensão, o ministro israelense da Segurançadisse que árabes hostis deveriam ser expulsos da cidade eobrigados a viver na Cisjordânia. "O Hamas anuncia sua total responsabilidade pela operaçãode Jerusalém", disse uma fonte do grupo islâmico na Faixa deGaza, região controlada pelo Hamas. Ele falou sob anonimato, e a facção não divulgou notaoficial. Um porta-voz do braço armado do grupo afirmou que oataque é "uma honra que ainda não reivindicamos". Israel dizque continua investigando o incidente. Houve comemorações pelo ataque nas ruas de Gaza, algo queum porta-voz da Casa Branca considerou "bastante desagradável". Milhares de pessoas participaram do funeral das oitovítimas, com idades de 15 a 26 anos, que estudavam numa escolaque é referência ideológica para os colonos da Cisjordânia. A polícia reforçou a vigilância na cidade e impôs maisrestrições aos deslocamentos de palestinos da Cisjordânia paraIsrael. O atirador Ala Abu Dhaim, morador de Jerusalém Oriental eque, segundo a família, havia sido chofer da escola, foi mortodurante o ataque. A casa dele é coberta por bandeiras do Hamase de outros grupos islâmicos. O presidente de Israel, Shimon Peres, disse que o atentadofoi "bárbaro", especialmente porque os estudantes "não tinhamnada a ver com a guerra." O ataque pode complicar ainda mais as negociações de paz,que já haviam sido suspensas por Abbas depois da ofensivamilitar de Israel na Faixa de Gaza. Nesta semana, porém, Abbasdisse à secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice,que iria retomar as negociações no momento propício. (Reportagem adicional de Nidal al-Mughrabi em Gaza,Alastair Macdonald em Jerusalém e Mohammed Assadi em Ramallah)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.