Historiador diz que Jack, o Estripador, não foi uma só pessoa

Assassinatos ocorridos em Londres em 1988 foram atribuídos a suposto serial killer por jornais sensacionalistas

Efe

01 de maio de 2009 | 09h45

Um historiador britânico chegou à conclusão de que Jack, o Estripador, o suposto assassino de pelo menos cinco prostitutas no final do século XIX no leste de Londres, não foi uma, mas várias pessoas, e que esse personagem foi uma invenção de um jornal sensacionalista.   Andrew Cook, que investigou o mais famoso assassino em série da história de Londres, afirma que os cinco brutais homicídios atribuídos a Jack, o Estripador, e que causaram uma onda de pânico em 1888 entre as mulheres da capital foram obra de diferentes criminosos.   Em seu livro Jack the Ripper: Case Closed ("Jack, o Estripador: Caso Encerrado", em tradução livre), Cook cita o testemunho do médico legista Percy Clark, da delegacia de Whitechapel, que examinou pessoalmente os corpos das cinco vítimas.   Quando perguntado pelo jornal East London Observer sobre os crimes alguns anos depois, em 1910, Clark disse que "um homem foi responsável (do assassinato) por três, mas provavelmente não por todos os casos".   O policial Thomas Arnold, que trabalhou na investigação dos assassinatos, também teria dito ao se aposentar que nunca considerou a hipótese de a prostituta Mary Kelly ter sido morta por Jack, o Estripador.   Segundo Cook, o verdadeiro beneficiado pelos assassinatos foi o jornal The Star, lançado na época dos crimes e que foi o primeiro a sugerir, após o assassinato de três mulheres, que o responsável pelas mortes era a mesma pessoa.   Graças ao tratamento sensacionalista do caso, o sensacionalista The Star fez com que suas vendas subissem para 232 mil exemplares por dia.   Mas quando um sapateiro local que o jornal tinha identificado como principal suspeito dos crimes foi posto em liberdade por falta de provas, as vendas despencaram.   Segundo Andrew Cook, o Star então respondeu publicando uma carta cujo autor, que assinava Jack, o Estripador, se vangloriava pelos assassinatos, mas um especialista em caligrafia sustenta que a carta foi escrita por um jornalista do jornal chamado Frederick Best.   A macabra lenda de Jack, o Estripador, alimentou a fantasia de várias gerações e se transformou até mesmo em uma atração turística para Londres, que oferece tours guiados pelos locais da Inglaterra vitoriana que serviram de palco para os crimes.

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