Hyundai quer ter 10% do mercado brasileiro em 2013

A Hyundai Motor lançou nesta sexta-feira a pedra fundamental de sua primeira fabrica própria na América Latina, mas já traça planos para assumir participação de mercado de cerca de 10 por cento até o final de 2013, rivalizando com a Ford, atual quarta maior empresa do setor no Brasil.

ALBERTO ALERIGI JR., REUTERS

25 de fevereiro de 2011 | 19h27

Em 2013, a montadora sul-coreana pretende vender 150 mil carros produzidos na fábrica de Piracicaba, no interior de São Paulo, a décima da marca no mundo, volume que será reforçado com mais 100 mil unidades importadas e outras 50 mil produzidas pelo parceiro brasileiro Grupo Caoa.

"Em 2010, sem fábrica aqui (no Brasil), ficamos com 3 por cento do mercado (7a posição no ranking da associação de concessionários Fenabrave). Com produção local, isso será de 10 por cento, ultrapassando a Ford", disse o vice-presidente sênior para as Américas da Hyundai Motor, Han Chang Hwan, por meio de intérprete.

Desde 1999, a marca sul-coreana é representada no Brasil pelo Grupo Caoa, que construiu uma fábrica em Anápolis (GO), em 2007, para montar o SUV Tucson e o utilitário HR. Segundo Han, a parceria com o grupo brasileiro será reforçada com a fábrica de Piracicaba, que num primeiro momento vai se dedicar a produzir modelos compactos da Hyundai.

Segundo o executivo, se a meta for cumprida, a Hyundai terá ocupado toda a capacidade de 150 mil veículos de sua fábrica no Brasil em 2013 com produção apenas do modelo compacto de codinome HMB, que está sendo desenvolvido na Coreia do Sul especificamente para o mercado brasileiro.

O carro, voltado ao segmento B, terá motor bicombustível e competirá diretamente com os modelos Gol e Palio, de Volkswagen e Fiat, respectivamente, que são focados em economia de combustível, afirmaram executivos da montadora sul-coreana.

Han evitou dar detalhes sobre o modelo, mas afirmou que "o preço vai ser praticamente o mesmo que o de nossos competidores".

Executivos da montadora afirmam que o HMB vai se situar próximo do hatch médio i30, que em 2010 foi o mais vendido de sua categoria no Brasil, apesar de não ser produzido no país e incorporar tarifa de importação de 35 por cento. O carro acumulou vendas de 36 mil unidades, ficando à frente do Punto (Fiat), Astra (GM) e Focus (Ford).

Entre características específicas para o mercado brasileiro, o diretor do centro de desenvolvimento de veículos da Hyundai, Song Young Hyun, citou durabilidade e consumo econômico de combustível. Ele também mencionou itens como gaveta embaixo do banco e dispositivos de imobilização do carro para proteção contra roubo.

CANAVIAL

A nova fábrica vai consumir investimentos de 600 milhões de dólares e a instalação de oito fornecedores de autopeças no complexo elevará o total de gastos em mais 300 milhões de dólares, segundo Han. A unidade também marca a chegada da Hyundai a todos os países do Bric, depois de aberturas de unidades próprias de produção na China, Índia e Rússia.

Por ora, a fábrica brasileira, cujo projeto foi paralisado em 2008 pela crise financeira internacional, é um grande platô que se destaca no horizonte de Piracicaba e é cercado por canaviais que inspiram pose para fotos de visitantes da Coreia do Sul.

Áreas de prensa, pintura, carroceria e montagem estão designadas por placas, enquanto algumas dezenas de grandes colunas sinalizam uma estrutura que está por vir.

Pelo cronograma da Hyundai, a fábrica de Piracicaba deverá começar a produzir no segundo semestre do próximo ano.

Para este ano, a Hyundai espera contabilizar vendas de 93 mil veículos no Brasil, após cerca de 80 mil unidades em 2010. O volume representaria um incremento anual de 16,3 por cento antes do início da entrada em operação da fábrica de Piracicaba.

O anúncio da Hyundai acontece em meio a uma torrente de projetos de novas fábricas de veículos no Brasil, de empresas como a chinesa Chery Automobile --que pretende investir 400 milhões de dólares para ter sua primeira unidade pronta em 2013--, além de gigantes globais como Toyota e Fiat.

Sobre o crescimento de rivais chineses no país, Han afirmou que a disputa está se acirrando. "A qualidade dos produtos chineses está nos alcançando muito rápido, mas nós também estamos indo rápido. Nosso consumidor sabe que há uma diferença entre marcas chinesas e a nossa."

A Hyundai conta atualmente com nove fábricas no mundo, sendo três na Coreia do Sul e uma em cada um dos seguintes países: China, Rússia, Índia, Turquia, República Tcheca e Estados Unidos.

Tudo o que sabemos sobre:
AUTOSHYUNDAIBRASIL*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.