IBGE: cai número de leitos para internação no País

O número de estabelecimentos de saúde com internação está em queda no Brasil, puxada pela desativação de unidades privadas. De 2005 a 2009, o setor privado perdeu 392 estabelecimentos com internação. No setor público, houve aumento de 112 unidades. A perda total no período, portanto, foi de 280 estabelecimentos do tipo. Além disso, a taxa nacional de leitos para internação em 2009, que foi de 2,3 por mil habitantes, ficou abaixo do padrão estabelecido pelo Ministério da Saúde, de 2,5 a 3 por mil habitantes. Os dados são da pesquisa Estatísticas de Saúde - Assistência Médico-Sanitária, referente ao ano de 2009 e divulgada hoje, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

FELIPE WERNECK, Agência Estado

19 de novembro de 2010 | 11h14

Havia no ano passado 6.875 unidades com internação no País. As regiões que mais perderam unidades privadas foram a Centro-Oeste e Nordeste. Só houve aumento na oferta de serviços de internação na Região Norte, mesmo assim pequena (2,3%). Dos 3.066 estabelecimentos com internação que declararam prestar serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2005, restaram 2.707 em 2009. O maior porcentual de estabelecimentos sem internação (69,8%) está no setor público. A pesquisa não considera consultórios médicos particulares.

Já o total de estabelecimentos de saúde em atividade no País cresceu de 77 mil, em 2005, para 94 mil, em 2009 - aumento de 22,2%. O número de unidades sem internação acompanha esse crescimento e chegou a 72% do total em 2009. O Brasil tem 1.765 estabelecimentos com Centro de Terapia Intensiva (CTI) ou Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Sobre a oferta de leitos, que ficou abaixo do padrão recomendado pelo Ministério da Saúde (2,5 a 3 por mil habitantes), o levantamento do IBGE apurou que só a Região Sul ficou dentro da média, com taxa de 2,6 leitos para cada mil habitantes. De 2005 para 2009, houve queda de 11.214 leitos para internação no País. Dos 431,9 mil registrados, 152,8 mil (35,4%) eram públicos e 279,1 mil (64,6%), privados. Houve 23,1 milhões de internações em 2008, queda de 0,2% em relação a 2004. Do total, 15 milhões foram no setor privado.

Oferta de equipamentos

A oferta de equipamentos hospitalares de tecnologia mais avançada aumentou no País de 2005 para 2009. No entanto, segundo a pesquisa, há excesso no setor privado e escassez para pacientes do SUS. Além disso, o IBGE apurou uma grande diferença na distribuição regional destes equipamentos.

Foi analisada a oferta de mamógrafos, tomógrafos e ultrassom, entre outros. O maior aumento (118%) foi registrado na oferta de aparelhos de ressonância magnética, de 415 estabelecimentos, em 2005, para 848, em 2009. Nesse caso, a média nacional era de 6,3 equipamentos por milhão de habitantes em 2009, comparável à de países como a França (5,7).

No entanto, quando analisado separadamente o grupo de pacientes do SUS, a taxa cai para 1,9 aparelho por milhão. No caso dos pacientes de planos privados, a média foi de 19,8 pacientes por milhão. Para tomografia computadorizada, a taxa brasileira é de 15,8 aparelhos por milhão, mas cai para 6 no SUS e chega a 44,3 para pacientes de planos privados. A média na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para tomógrafos é de 22,8 por 1 milhão.

O levantamento apurou ainda uma concentração no número de médicos em determinadas regiões. As capitais, que abrangem 23,7% da população, concentravam 40,5% dos postos de trabalho médico em 2009.

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