Índios no Pará atacam engenheiro da Eletrobrás com facão

Paulo Rezende foi atacado por caiapós após falar sobre impacto na região da usina hidrelétrica de Belo Monte

CARLOS MENDES, Agencia Estado

20 de maio de 2008 | 19h50

O engenheiro da Eletrobrás, Paulo Fernando Rezende, foi agredido a socos e ferido com um facão por vários índios caiapós ao final de uma palestra no encontro Xingu Vivo para Sempre, que reúne três mil pessoas em Altamira (PA), metade delas índios que debatem os impactos na região da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Rezende havia acabado de fazer uma palestra sobre os detalhes técnicos da usina. Os índios, liderados por Tuíra Caiapó, avançaram sobre o técnico. Ele teve a camisa rasgada e foi ferido no braço pelo facão de um dos guerreiros.       Veja imagens após ataque dos índios  Os organizadores do encontro tiveram muita dificuldade para livrar Rezende da fúria dos índios, que o acusaram de estar debochando deles e de desrespeitá-los. A vítima foi levada para ser medicada no Hospital Regional da Transamazônica, enquanto outros técnicos da Eletrobrás registravam queixa na polícia. A direção da Eletrobrás estuda retirar seus técnicos do encontro em Altamira. A empresa alega não haver clima para a permanência deles na cidade.Havia 600 índios de várias etnias no salão onde se realizava o encontro na hora da confusão. A Polícia Militar tinha menos de dez homens no local. Os índios não quiseram ouvir a palestra de Rezende. Começaram a cantar e a dançar, antes da agressão. Em 1989, a índia Tuíra esfregou um facão no rosto do então presidente da Eletronorte, José Antonio Muniz Lopes, protestando contra a construção da hidrelétrica. Hoje, ela voltou a prometer que os caiapós e outras tribos do Xingu não deixarão que a usina seja construída.

Mais conteúdo sobre:
EletrobrásParáíndios

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.