Inoculante reduz uso de nitrogênio no canavial

Tecnologia inédita, desenvolvida pela Embrapa Agrobiologia, ajuda a economizar pelo menos 30 kg/ha por ano

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2008 | 01h42

Depois de 25 anos de estudos, pesquisadores da Embrapa Agrobiologia, de Seropédica (RJ), desenvolveram um inoculante à base de bactérias fixadoras de nitrogênio para ser usado em plantios de cana-de-açúcar. O produto, inédito, possibilita a diminuição de aplicação de fertilizante nitrogenado na lavoura, o que ajuda a reduzir os custos de produção no canavial, e ainda representa um ganho ambiental, já que, com o uso do produto, o produtor deixa de aplicar, no mínimo, 30 quilos de nitrogênio por hectare/ano.De acordo com a pesquisadora Veronica Massena Reis, da Embrapa, o principal impacto do novo produto é na substituição total de nitrogênio na cana de primeiro ano, que costuma receber de 30 a 60 quilos do componente por hectare.Considerando que a área cultivada com cana atinge mais de 7 milhões de hectares, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a renovação anual de 20% da área total plantada no País representaria a substituição de nitrogênio em 1,4 milhão de hectares. ''O produtor gasta menos com fertilizantes, mas não perde em produtividade'', diz Veronica.ESTIRPESPara obter o inoculante, foram isoladas em laboratórios estirpes de cinco espécies de bactérias da cana-de-açúcar: Gluconacetobacter diazotrophicus, Herbaspirillum seropedicae, Herbaspirillum rubrisubalbicans, Azospirillum amazonense e Burkholderia tropica. A mistura das cinco estirpes deu origem ao inoculante, que foi, então, misturado a 100 litros de água.''A utilização do inoculante é simples e de baixo custo'', diz Veronica. Os colmos, com três gemas, são mergulhados na mistura de 100 litros de água e 1.250 gramas de inoculante durante uma hora e são plantados logo em seguida. Cada dose do inoculante deve custar de R$ 15 a R$ 25. Como a quantidade de colmos para esta mistura varia conforme a variedade da cana, os pesquisadores ainda estão ajustando este critério.Conforme a Embrapa, embora o inoculante já esteja pronto, o produto deve estar disponível no mercado para os produtores daqui a dois anos. ''A tecnologia será repassada para o setor industrial, que terá condições de produzi-lo em larga escala'', diz Veronica.Até lá, os pesquisadores também acreditam que o produto poderá ser fabricado conforme legislação própria, já que se trata do primeiro inoculante para gramíneas desenvolvido no País e não há normas legais de controle de qualidade.INFORMAÇÕES: Embrapa, tel. (0--21) 2682-1500

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