Inventor usa microondas para capinar

'Enxada eletrônica' foi inventada por Irineu Santos, de Florianópolis, que garante que o mato não rebrota

Niza Souza, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2007 | 01h05

Após montar um laboratório em casa e desmontar 16 fornos de microondas, o cientista Irineu de Oliveira Santos, de Florianópolis (SC), descobriu como controlar e direcionar o calor emitido pelo eletrodoméstico. A partir desta descoberta, desenvolveu uma tecnologia, que ele chama de enxada eletrônica, capaz de substituir o uso de agrotóxicos no combate de pragas e ervas daninhas.PROTÓTIPO''''O aparelho é um emissor de microondas. Acoplei o protótipo na ponta de um cabo. Assim, consegui direcionar as ondas para um local específico, como se fosse o foco de uma lanterna'''', explica Santos. Segundo ele, o aparelho aquece muito rápido, e varia de 60 a 600 graus, que é a temperatura máxima, em 45 segundos. O calor penetra no solo, elimina pragas e desidrata ervas daninhas até a raiz. E a palha ainda transforma-se em adubo.Ele garante que não há perigo de radiação. Mas recomenda que o operador use uma bota refletiva ou branca. O equipamento tem um dispositivo que permite a regulagem da profundidade de penetração da microonda no solo. Pode penetrar até meio metro, com capacidade de uso efetiva.A tecnologia já foi testada, certificada pelo departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Santa Catarina e pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Também já foi patenteada no Brasil e nos Estados Unidos.O primeiro aparelho comercial foi a enxada individual. ''''Já vendi seis unidades'''', diz ele. Depois, aperfeiçoou a tecnologia, a pedido da prefeitura de Itajaí (SC), conta, para substituir a capina com agrotóxicos em vias públicas.GRANDES ÁREAS''''O equipamento foi acoplado a um caminhão, com três camadas de segurança para absorver as microondas, e tem capacidade para capinar até 3 quilômetros por hora. Com a vantagem de que o mato não rebrota'''', destaca. Ele diz ainda que já comprovou a viabilidade do uso da enxada eletrônica em grandes áreas, pois pode ser acoplada a um trator, com vários emissores de microondas. Vale lembrar que a enxada é elétrica e necessita de gerador de energia.Agora, o cientista-inventor busca parceiros para desenvolver a tecnologia em escala comercial. Ele estima que a enxada individual pode chegar ao mercado por R$ 500. Para uso agrícola, modelos acoplados a tratores, o preço seria de R$ 14 mil.INFORMAÇÕES: Irineu Santos, tel. (0--48) 3333-6935 ou deusele@terra.com.br

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