Iraque aprova pacto para saída de tropas dos EUA até 2011

Medida, que foi aprovada quase unanimamente, agora vai ao Parlamento; Casa Branca diz que foi 'passo positivo'

Agências internacionais,

16 Novembro 2008 | 10h57

O gabinete iraquiano aprovou neste domingo, 16, o acordo de segurança que regula as condições para a presença das tropas americanas no país até o final de 2011. Todos menos um dos 28 ministros de gabinete que estavam na sessão de duas horas e meia votaram para o acordo e o enviaram para o Parlamento, em um grande alívio para os Estados Unidos, que esteve em intensas negociações com os iraquianos por quase um ano, informa o jornal The New York Times. De acordo com o ministro das Relações Exteriores do Iraque, Hoshiyaer Zebari, o rascunho do acordo determina que as forças americanas terão de se retirar das cidades iraquianas até junho de 2009 e deixar o país por completo no fim de 2011.  Veja também:Líder radical xiita convoca seguidores contra pacto com EUA A resolução do Conselho de Segurança da ONU que permite que as tropas americanas operem no Iraque expira em 31 de dezembro, e sem a extensão da resolução ou acordo separado como esse aprovado neste domingo, as forças de coalizão lideras pelos EUA não teriam mandato legal para operar. "Essa é a melhor alternativa disponível", afirmou o porta-voz do governo iraquiano, Ali al-Dabbagh, logo após a votação. "Nós sempre dissemos que essa não é uma solução perfeita para o lado iraquiano e nem para o lado americano, mas é um procedimento que foi forçado pelas circunstâncias e necessidades", acrescentou ele, segundo o New York Times. O projeto ainda submete, pela primeira vez, as forças americanas sob a autoridade do governo iraquiano e prevê que elas não terão mais autoridade para fazer incursões em casas iraquianas sem a autorização de um juiz e a permissão do governo. Atualmente há 150 mil soldados americanos no Iraque De acordo com a rede BBC, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Malik vinha tentando angariar apoio para o pacto entre as principais alianças xiitas e curdas dentro do Parlamento. Malik também teria conseguido convencer o mais influente clérigo xiita do país, Ayatollah Ali al-Sistani, a não se opor ao projeto publicamente.  Qualquer manifestação pública contrária ao pacto por parte de Sistani poderia comprometer a aprovação do documento pelo Parlamento. Defensores do acordo dizem que ele aumentará a soberania iraquiana e ajudará o governo a preservar os ganhos obtidos na área de segurança nos últimos 18 meses.  Já a ala nacionalista, representada entre outros pelo influente clérigo xiita Moqtada Sadr, criticou o projeto e pediu que seus partidários convoquem "demonstrações em massa" para protestar contra qualquer tipo de acordo com os Estados Unidos. Autoridades iraquianas temem que uma rejeição no Parlamento tenha "graves efeitos" sobre a segurança no país. Para os americanos, significará a suspensão de suas operações no país. Resposta americana A Casa Branca recebeu neste domingo o acordo como um "passo positivo". "Enquanto o processo ainda não está completo, nós continuamos esperançosos que em breve vamos ter um acordo que servirá para o povo do Iraque e dos Estados Unidos e enviará um sinal para a região e para o mundo que nossos governos estão comprometidos para um Iraque democrático", afirmou o porta-voz Gordon Johndroe.

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