Iraque teme que ofensiva turca gere 'precedente terrível'

Governo iraquiano quer evitar ação militar contra curdos no norte do país.

BBC Brasil, BBC

16 de outubro de 2007 | 18h30

O vice-primeiro-ministro iraquiano, Barham Salih, disse nesta terça-feira que uma possível decisão da Turquia de lançar uma ofensiva militar em território iraquiano pode ter "graves conseqüências" e levar a uma escalada de ataques no Iraque."Qualquer ação unilateral por parte dos militares turcos ou violação das fronteiras iraquianas será um precedente terrível com conseqüências para todos", disse Salih. "Se a Turquia, como vizinha do Iraque, se acha no direito de intervir, como evitar que outros vizinhos não intervenham?"O governo do Iraque pediu "negociações urgentes" a respeito da ameaça da Turquia, que quer atacar rebeldes curdos que acredita estarem escondidos no norte do Iraque.O primeiro-ministro iraquiano, Nouri Al-Maliki, convocou uma reunião de emergência do gabinete de governo nesta terça-feira para discutir a crise."O governo iraquiano pede que o governo turco participe de negociações urgentes", disse o porta-voz do primeiro-ministro.O governo turco está tentando conseguir permissão parlamentar para uma operação através da fronteira para capturar membros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo).A Turquia afirma que o grupo é uma organização terrorista responsável pela morte de pelo menos 15 soldados turcos nas últimas duas semanas e diz que os separatistas curdos têm liberdade de movimento no norte do Iraque.Jamal Abdallah, um porta-voz do governo da região iraquiana do Curdistão, afirmou à BBC que não existe cooperação com o PKK."Nunca ajudamos e não estamos ajudando o PKK. As bases deles não estão sob controle das autoridades regionais do Curdistão", disse.O vice-presidente iraquiano Tareq Hashemi está em Ancara numa tentativa de convencer a Turquia a não realizar nenhum ataque.O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que espera que a Turquia não seja forçada a iniciar uma ação militar, mesmo se o Parlamento turco aprove o pedido do governo."Sinceramente, espero que este pedido nunca seja aprovado. A aprovação deste pedido não significa uma incursão imediata", disse.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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