'Isonomia está prejudicada'

ENTREVISTA

Mariana Mandelli, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2010 | 00h00

Edson Bortolai,

PRESIDENTE DA COMISSÃO DE EXAME DE ORDEM DA OAB-SP

Para o advogado Edson Bortolai, não há como ter certeza de que o vazamento beneficiou apenas uma pessoa. "Daqui a dois meses podem aparecer outros casos", afirma. Leia entrevista que ele deu ao Estado.

O vazamento da redação é suficiente para cancelar o Enem?

Sim. Veja o exame da Ordem deste ano. Um dos sete exames foi vazado por três pessoas em Osasco. Sugeri, por motivos de custos, que fosse cancelado apenas o exame que vazou e na cidade onde ocorreu. Mas a OAB decidiu pelo cancelamento em todo o Brasil, para não macular o nome do exame. E essa foi a opção mais acertada, porque depois foram detectados problemas numa gráfica no Paraná.

O ideal seria o cancelamento?

Com certeza. Existem elementos mais do que suficientes, como os gabaritos e as provas amarelas. Manter o Enem pode conter custos, mas não é bom para a imagem do exame. A isonomia do concurso já está prejudicada. Se o MEC quisesse uma solução cirúrgica, deveria cancelar o exame onde houve vazamento e acatar a recomendação da juíza do Ceará, deixando os prejudicados refazerem a prova. Alguns alunos só vão perceber o prejuízo quando saírem as notas. E aí não dá mais.

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