Lavoura com seguro ambiental

Produtores que protegem reservas, como manda a legislação, ganham em qualidade da água e no controle natural de pragas

Fernanda Yoneya e Leandro Costa,

01 de setembro de 2010 | 07h31

A Usina São Francisco, de Sertãozinho (SP), também conseguiu bons resultados na busca por um sistema de produção sustentável. Criado em 1987, o Projeto Cana Verde, de conversão de agricultura convencional para orgânica, instalou nos 7.500 hectares de lavoura da São Francisco ilhas de biodiversidade, integrando áreas nativas e cultivadas. A usina elevou a produtividade em 25%: colhe 115 toneladas por hectare, ante 84 t da média do Estado.

 

 

 

Em pouco mais de 20 anos, a empresa já plantou mais de 1 milhão de árvores, em margens de cursos d"água e em áreas como várzeas, criatórios de peixes, aves, mamíferos e outros animais. "Com o retorno da biodiversidade, a natureza responde. Hoje, o canavial é cheio de insetos, mas não há danos à lavoura", diz o diretor agrícola da São Francisco, Leontino Balbo Júnior.

 

 

 

A São Francisco fez um inventário da fauna, coordenado pela Embrapa Monitoramento por Satélite. Os técnicos da Embrapa concluíram que a biodiversidade no local é até quatro vezes superior à de áreas convencionais. Em 2004, foram identificadas 247 espécies de vertebrados superiores - anfíbios, pássaros, mamíferos e répteis. De 2004 a 2008, o número subiu para 325. Hoje, mais de 340 tipos de animais vivem e se multiplicam nas terras da usina.

 

 

 

"Gafanhoto". Além dos quase 10 hectares de florestas averbados como reserva legal, a propriedade do cafeicultor Amilcar Alarcon Pereira em Franca (SP) tem APPs como topos de morro e margens de rio. Com isso, a lavoura só ocupa 27 dos 48 hectares. "Há trechos onde a mata ciliar chega a 80 metros de largura. E o que a lei exige são 30", diz. "Vi minhas reservas de água crescerem dez vezes em relação a propriedades que não têm tantas áreas de floresta."

 

 

 

Um dos fundadores da cooperativa de cafeicultores de Franca, Pereira é categórico no debate sobre mudanças no código. "Sou contra, principalmente no que diz respeito a reduzir a reserva legal. A humanidade já se comporta como gafanhoto, consumindo mais do que o planeta pode dar."

 

 

 

Para o professor Gerd Sparovek, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo, não é necessário revisar o código para permitir o desenvolvimento do setor agropecuário. Segundo ele, o estoque de áreas de alto potencial agrícola ainda cobertas por mata natural no País é relativamente pequeno, tem cerca 7 milhões de hectares. "Temos 60 milhões de hectares de elevada e média aptidão agrícola que estão sob pastagens e podem ser utilizados para a expansão agrícola", afirma Sparovek. "A agricultura não precisa das terras cobertas com vegetação natural para se desenvolver."

 

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