Londres começa a investigar conflito no Iraque

Comissão levantará circunstância que levou país a participar de invasão

AP E AFP, LONDRES, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2009 | 00h00

Uma comissão organizada para investigar as circunstâncias que levaram à participação da Grã-Bretanha na guerra do Iraque iniciou ontem audiências públicas em Londres. A investigação, que contará com o testemunho do ex-primeiro-ministro Tony Blair, não estabelecerá responsabilidades civis ou legais, mas pretende esclarecer a decepção dos britânicos com a decisão do governo de apoiar a invasão americana ao Iraque em 2003.

"Ninguém será julgado aqui. Não podemos determinar culpabilidade ou inocência, só uma corte pode fazer isso", afirmou John Chilcot, presidente da comissão. "No entanto, comprometo-me a não evitar críticas a instituições, processos ou indivíduos quando chegarmos a nosso relatório final."

A comissão, indicada pelo premiê Gordon Brown, começou seus trabalhos em julho, mas os primeiros procedimentos ocorreram a portas fechadas. Durante esse período, o comitê recolheu depoimentos de parentes dos 179 soldados britânicos mortos no Iraque.

Durante 2010, a comissão, que investiga o período de 2001 até julho (mês em que a Grã-Bretanha retirou seus soldados do Iraque), deve interrogar dezenas de funcionários do governo - entre eles militares e agentes do serviço secreto - antes de apresentar suas conclusões.

No entanto, a comissão não tem advogados entre seus integrantes. Por isso, muitos acreditam que a principal pergunta referente à legalidade do conflito continuará sem ser respondida.

O depoimento mais esperado é o de Blair, marcado para janeiro. O ex-premiê será questionado sobre se apoiou ou não secretamente o plano dos EUA de invadir o Iraque um ano antes de o Parlamento britânico ter autorizado o envolvimento militar do país na guerra, em 2003. A decisão de Blair de enviar 45 mil soldados ao Iraque fez com que ele batesse recordes de impopularidade e foi um dos principais fatores que causaram a sua saída do governo em 2007.

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