Mãe acorrenta filho viciado a pedido dele em São Paulo

Garoto, de 14 anos, usuário de crack e maconha, teria pedido que mãe o prendesse para ele não sair de casa

Chico Siqueira, especial para O Estado de S.Paulo,

26 de março de 2008 | 18h26

A dona de casa Cristina Aparecida Fuzati, moradora de Mirassol, a 453 quilômetros de São Paulo, aceitou o pedido do filho de 14 anos e acorrentou o garoto pelas mãos e pernas para evitar que ele saísse de casa em busca de drogas. Dependente químico de crack e maconha, K.M.F.C., passou a manhã desta terça-feira, 25, com duas correntes presas com cadeados nas canelas e nos punhos e se locomovia aos pulos dentro da humilde casa da família, no bairro Bela Vista, periferia da cidade. A mãe do garoto deverá responder inquérito policial de cárcere privado. Ela não quis falar com a imprensa, mas disse à Promotoria da Infância e da Juventude, onde prestou depoimento, que atendeu aos apelos do garoto porque tinha visto algo parecido na TV e tinha medo de que seu filho fosse pego roubando objetos para comprar drogas ou fosse pego usando drogas em festas raves, como a ocorrida no dia 9 de março, quando 120 adolescentes e quatro crianças foram apreendidas em meio a bebidas e entorpecentes. O garoto foi solto no final da tarde por conselheiros tutelares e será levado a uma clínica de dependentes químicos, em uma nova tentativa das autoridades de menores de recuperá-lo, pois seu histórico já é grande. Em setembro de 2006, o adolescente foi ao Juizado de Menores por desacatar um professor; em março de 2007, se recusou a cumprir as medidas de orientação, que incluíam aulas num centro municipal de capacitação de adolescentes e numa escola de informática. Em setembro, abandonou a escola e em dezembro, fugiu de casa. Em janeiro, foi pego usando drogas - as autoridades ofereceram tratamento em uma clínica, o que também não foi aceito. Em fevereiro, foi pego praticando furtos para comprar crack. "O problema é que a família é carente, desestruturada e vive em condições precárias de moradia", disse o promotor de Infância e Juventude de Mirassol, José Heitor dos Santos. Segundo ele, no mesmo período de acompanhamento do garoto, a família recebeu ajuda de um amparo social, mas a mãe, que sofre de problemas psiquiátricos, se recusou a seguir um tratamento no Hospital das Clínicas da Unicamp, assim como a família não freqüentou nenhuma sessão com os assistentes sociais e psicólogos.

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