Mladic vai ter apenas um julgamento por crimes de guerra

O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia afirmou que irá realizar apenas um julgamento para o suspeito Ratko Mladic, acusado de genocídio, rejeitando um pedido para dois processos separados a fim de acelerar a tramitação por causa de sua saúde debilitada.

GREG ROUMELIOTIS E AARON GRAY-BLOCK, REUTERS

13 de outubro de 2011 | 20h05

Mladic, ex-chefe militar sérvo-bósnio, foi preso em maio e transferido para Haia após 16 anos foragido. Ele é acusado de orquestrar o genocídio de cerca de 8.000 homens e meninos muçulmanos em Srebrenica em 1995 e pelo cerco de 43 meses a Sarajevo em que 10.000 pessoas foram mortas.

Mladic, de 69 anos, tem frequentemente se queixado de problemas de saúde, mais recentemente na semana passada, desde a sua detenção e extradição. Na terça-feira, seu advogado disse que Mladic havia sido internado no hospital por causa de uma pneumonia.

O Ministério Público propôs a divisão do processo de Mladic em duas partes para acelerar a tramitação, lembrando que o ex-ditador iugoslavo Slobodan Milosevic passou quatro anos em julgamento, e morreu em 2006, antes de um veredicto.

Mas em uma decisão publicada nesta quinta-feira, juízes do tribunal disseram que uma divisão do caso, ao invés de facilitar o andamento do julgamento, poderia ter o efeito oposto.

A promotoria havia pedido que o indiciamento fosse dividido em dois, sendo um processo sobre os crimes de Srebrenica e um segundo relacionado aos abusos em Sarajevo e outros municípios da Bósnia, bem como a tomada de reféns.

Os juízes aceitaram o pedido da promotoria para incluir nas acusações a morte de mais de 30 homens bósnios muçulmanos no vilarejo de Bisina, no leste da Bósnia, em julho de 1995. Mladic será convocado para contestar as acusações em 10 de novembro.

(Reportagem de Greg Roumeliotis e Aaron Gray-Block)

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