Morales diz que não vai permitir divisão da Bolívia

Presidente faz apelo por união e contra pressão dos Estados por autonomia.

Marcia Carmo, BBC

14 de dezembro de 2007 | 22h15

O presidente da Bolívia, Evo Morales, fez nesta sexta-feira um apelo pela união dos bolivianos e contra a intenção de quatro dos nove departamentos (Estados) do país de declararem neste sábado sua autonomia do governo central."Não vamos permitir nenhuma separação, nenhuma divisão da Bolívia", disse Morales, em uma cerimônia na Academia de Polícia Militar de La Paz. "Dezembro é mês de festa. Vamos passar este mês em paz", afirmou. As declarações do líder boliviano foram feitas em um novo momento de tensão entre as duas diferentes regiões do país. Os Estados mais ricos vêm defendendo a autonomia financeira e de outros setores institucionais, como uma polícia própria, e pretendem pedir apoio popular a seus estatutos independentes (espécie de Constituição paralela). "Vamos fazer autonomia sim, mas com igualdade (para todo o país)", disse Morales. O presidente pediu que os bolivianos estejam "unidos" para atender às demandas sociais da Bolívia - um dos países mais pobres da América Latina. "Aqui não existe egoísmo ou autoritarismo, mas sim democracia", afirmou.A tensão na Bolívia se agravou ainda mais no último fim de semana, quando os constituintes aprovaram a nova Carta Magna, em Oruro, terra do presidente. O local da votação foi cercado por seguidores do presidente, como indígenas e estudantes. Representantes da oposição, principalmente do partido Podemos, criticaram a forma como a nova Constituição foi aprovada - "a toque de caixa", como reproduziu o jornal La Razón. "Eles aprovaram em uma noite tudo o que não foi debatido em mais de um ano de assembléia constituinte", disse à BBC Brasil, por telefone, a analista boliviana Ximena Costa, professora de ciências políticas da Universidade Maior de San Andrés, em La Paz. "O problema é que em vez de a nova Constituição nos unir, ela está nos dividindo ainda mais. E minha única preocupação é que isso termine em mais violência", afirmou. No dia seguinte à aprovação da nova Constituição, governadores de seis Estados (Santa Cruz de la Sierra, Cochabamba, Beni, Pando, Tarija, Chuquisaca) anunciaram que não a respeitariam. Cinco dias mais tarde, quatro dos nove departamentos disseram que aprovariam regras próprias, por exemplo para administração dos recursos dos hidrocarbonetos, concentrados principalmente em alguns destes Estados, como Tarija. Nesta quinta-feira, a chamada "Assembléia Autônoma de Santa Cruz de la Sierra" aprovou seu estatuto. Neste sábado, o estatuto será levado a uma espécie de apresentação popular - momento para divulgar o documento e realizar um abaixo-assinado para que o texto seja enviado, com apoio dos eleitores, ao Congresso Nacional. Segundo Ximena Costa, o objetivo é a realização de um plebiscito para que a autonomia vire lei. A previsão é de que os outros três estados - Tarija, Beni e Pando - façam o mesmo. Ao mesmo tempo, o presidente Morales convocou, nesta sexta-feira, os movimentos indígenas para uma comemoração, também neste sábado, pela aprovação da nova Carta Magna. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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