Mosteiro de Sorocaba corre risco com infiltrações

O Mosteiro de São Bento de Sorocaba, no interior de São Paulo, construído há 352 anos, está em risco. Infiltrações no telhado do corpo principal do edifício ameaçam as paredes de taipa da estrutura que sustenta o prédio. Também é precário o estado das telhas da nave principal da Igreja de Sant''Ana, erigida pelo capitão Baltasar Fernandes, bandeirante fundador da cidade, em 1654, e doada, seis anos depois aos monges beneditinos. A reforma da cobertura do conjunto mosteiro-igreja está calculada em R$ 900 mil, mas não há recursos. A temporada de chuvas está começando.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

17 de outubro de 2012 | 17h01

O abade do mosteiro, d. José Carlos Camorim Gati, foi à Câmara Municipal nesta terça-feira (16) em busca de ajuda. D. José pediu aos vereadores que destinem verbas, por meio de emendas, para a obra. "O mosteiro não pertence aos monges, é um patrimônio da cidade", justificou. O principal prédio histórico de Sorocaba é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat) e está em processo de restauração há seis anos.

Foram completados serviços como a prospecção nas paredes para registro das camadas de pintura e a verificação do estado da parede, e ainda a reforma da hospedaria dos monges beneditinos e do jardim da gruta.

O conjunto, que ocupa uma área de 12,2 metros quadrados no coração do município, foi descupinizado e as paredes de taipa, após a retirada do reboco, receberam uma camada protetora. O abade do mosteiro teme que, com a chegada das chuvas e as infiltrações, esse trabalho se perca. "A taipa é um material sensível e, no caso do mosteiro, é uma estrutura única com três tipos de material." Além da troca das telhas, será preciso rever a estrutura de madeira e os forros, possivelmente comprometidos pelo ataque dos cupins. Por falta de verba, a restauração é feita por etapas, à medida que o dinheiro é captados pela Associação Amigos de São Bento via Lei Rouanet.

A igreja é marco da fundação da cidade e foi erguida em taipa de pilão e coberta pelos índios que serviam a Fernandes. O bandeirante tinha 400 índios escravizados quando se mudou de Santana de Parnaíba para Sorocaba. Os monges construíram o mosteiro ligado à igreja e a cidade se formou no entorno, em terras doadas por Fernandes. Seus restos mortais estão sepultados no interior do templo, que guarda ainda relíquias como o retábulo e a imagem de Sant''Ana, trazidos de Portugal no século 18. Todo mês, os beneditinos celebram uma missa pela alma do doador.

Tudo o que sabemos sobre:
infiltraçõesmosteiroSorocaba

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.