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Nippon pede à Justiça intervenção na siderúrgica Usiminas

Empresa pede que um interventor assuma a presidência executiva na siderúrgica mineira no lugar de Sérgio Leite, segundo fontes; Nippon alega que eleição feriu o acordo de acionista da companhia

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2016 | 18h26

SÃO PAULO - A companhia japonesa Nippon Steel, sócia controladora da Usiminas ao lado do grupo ítalo-argentino Ternium/Techint, entrou ontem com um agravo de instrumento na Justiça de Minas Gerais, pedindo que um interventor assuma a presidência executiva na siderúrgica mineira no lugar de Sérgio Leite, eleito ao cargo dia 25 de maio, segundo fontes.

O executivo, que até então ocupava o cargo de vice-presidente executivo Comercial da Usiminas, substituiu Rômel de Souza, nome de confiança da Nippon. A Nippon contesta a eleição de Leite, alegando que fere o acordo de acionista da companhia.

Na próxima segunda-feira, a juíza que analisa o caso, marcou uma reunião com os controladores, que há mais de dois anos se enfrentam nos tribunais diante de uma das maiores brigas societárias da história do País. A intenção seria colocar os sócios frente à frente para se tentar alcançar um acordo, o que parece distante diante do pedido da companhia japonesa, que acirrou a briga ao pedir intervenção na Usiminas.

No agravo, além de pedir que o "Poder Judiciário indique o diretor-presidente da Usiminas, em substituição de Sérgio Leite, a Nippon pede ainda mudança na composição da diretoria para que o grupo, hoje com cinco integrantes, seja formado, além do nome indicado à presidência, por dois nomes de cada controlador, ou seja, dois da Nippon e dois da Ternium".

Hoje, a diretoria executiva da Usiminas é formada por um diretor indicado pela Ternium, um pela Nippon, e três independentes, sendo um deles Sérgio Leite, que tem sua carreira na própria Usiminas.

Para a Nippon, essa formação da diretoria deve perdurar até que "os acionistas controladores alcancem um consenso sobre quem deve ocupar o cargo de diretor presidente, quando, a partir de então, a eleição deverá seguir os estritos termos do acordo de acionistas".

No meio da briga de seus sócios, a Usiminas vem amargando prejuízos, que acabaram por colocar em xeque sua sustentabilidade financeira, que até colocou a possibilidade de recuperação judicial para os holofotes. Sem caixa, a empresa precisou trabalhar um aumento de capital de R$ 1 bilhão e renegociar uma dívida bilionária com seus credores. O aumento de capital ainda não foi homologado e os termos finais para o acordo de renegociarão de dívida ainda não foram assinados.

Procurada, Ternium e Nippon comentaram.

 

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