Nos bastidores, Romney tenta atrair conservadores

Antevendo que será o indicado do Partido Republicano à Casa Branca neste ano, o pré-candidato Mitt Romney está trabalhando nos bastidores para aglutinar os conservadores ao seu redor -e parece estar tendo sucesso.

STEVE HOLLAND E THOMAS FERRARO, REUTERS

22 Março 2012 | 20h23

Romney é visto com desconfiança pelo eleitorado conservador que forma a base do Partido Republicano. Seus principais rivais, Rick Santorum e Newt Gingrich, o descrevem como um moderado de Massachusetts, com posições excessivamente próximas do presidente democrata Barack Obama, candidato à reeleição em novembro.

Discretamente, Romney se reuniu na quinta-feira com o influente senador conservador Jim DeMint, que não manifestou seu apoio a ele. O pré-candidato também participou em Washington de um evento de arrecadação com a presença de vários parlamentares -entre eles Paul Ryan, presidente da Comissão de Orçamento da Câmara.

DeMint, membro do movimento conservador Tea Party, apoiou Romney na sua frustrada candidatura em 2008. Embora tenha dito que não pretende repetir esse apoio, se referiu de forma calorosa a Romney.

"Posso dizer aos conservadores do meu ponto de vista... que estou não só confortável com Romney, estou animado com a possibilidade de ele ser o nosso indicado. Sua capacidade de liderança, o fato de não ter passado a vida em Washington, há muita coisa nele para gostar", afirmou o senador.

Romney teve uma convincente vitória na eleição primária de Illinois na terça-feira, deixando-o mais perto da indicação. Além disso, ele recebeu o importante apoio de Jeb Bush, ex-governador da Flórida, filho e irmão de ex-presidentes.

"Parece que será muito difícil para Santorum e Gingrich impedi-lo de ganhar o número necessário de delegados (da convenção partidária) para a indicação", disse o estrategista republicano Ron Bonjean. "Portanto, é provável que a gente veja mais republicanos de alto escalão saindo em apoio à candidatura dele."

Muitos conservadores recriminam Romney por ter no passado apoiado o direito ao aborto -algo de que ele já recuou- e por ter implantado como governador de Massachusetts uma reforma da saúde que guarda semelhanças com um plano adotado por Obama em nível nacional, e que os conservadores sonham em revogar.

Por outro lado, a campanha de Romney tenta destacar o compromisso dele com temas que falam de perto aos conservadores -redução de impostos, redução de regulamentações governamentais, e menos dívida pública.

Durante o evento matinal de arrecadação no Congresso, Romney acusou Obama de cometer "um ataque à liberdade econômica" e prometeu medidas para reduzir o déficit público e estimular a iniciativa privada a gerar empregos.

"Quero colocar nossa economia para andar outra vez, e sei como fazer isso", disse o pré-candidato, ex-executivo do setor financeiro. "É restaurando os princípios que fizeram de nós a nação que somos."

Embora Romney trabalhe para consolidar sua candidatura, assessores reconhecem que a disputa ainda não está ganha. Santorum é favorito no sábado que vem na Louisiana, e a disputa em Wisconsin, em 3 de abril, promete ser apertada.

Depois disso, no dia 24, a conjuntura é mais favorável a Romney, com disputas em vários Estados do norte dos EUA.

(Reportagem adicional de Donna Smith)

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